Fernando Pilatos/Gazeta PressO apagão de ontem à noite deixou mais de 70% do país sem energia elétrica por cerca de quatro horas
11 de Fevereiro de 2012

Bares fecham as portas, clientes abandonam as casas noturnas e festa são canceladas
Só que os paulistanos que saíram de casa para aproveitar a noite de calor acabaram ficarando no escuro. O apagão de ontem à noite deixou mais de 70% do país sem energia elétrica por cerca de quatro horas.
Na Vila Madalena, bares fecharam as portas, enquanto na região da avenida Paulista e da rua Augusta, muitos clientes abandonaram as casas noturnas. A designer Renata Chelli, que estava no bar Jacaré, na Vila Madalena, conta que muitos estabelecimentos por ali acabaram fechando.
- Estava superescuro e muito quente, sem ar-condicionado ou ventilador. Então, as pessoas ficaram na porta dos bares conversando. Acho que quando perceberam que a luz não ia voltar logo, acabaram indo embora.
Ela também diz que as máquinas de cartão de crédito e débito não estavam funcionando, o que obrigou o gerente da casa a permitir que os clientes passassem no bar no dia seguinte para acertar a conta.
- Tinha gente que estava com dinheiro e fez vaquinha, mas eu imagino que muita gente tenha saído sem pagar.
Já na região da rua Augusta, o jornalista Guilherme Felitti relata que assim que as luzes se apagaram a “maioria das pessoas que estavam nas casas noturnas saíram pra rua”.
Em frente a cada estabelecimento comercial, havia “um bolo de gente nesse clima de ‘já que não dá pra voltar pra casa, vamos ficar bebendo’”. Para ele, a noite foi tranquila.
- Peguei um ônibus até a avenida Paulista, e dali peguei outro, sem nenhum problema.
O clima de descontração também pôde ser verificado na região central da cidade. Próximo à faculdade Mackenzie, na rua da Consolação, estudantes trocaram a tradicional cervejinha no bar pelo som do carro. Por volta da meia-noite, era possível ver estudantes com os porta-malas abertos, ouvindo música e – acredite – jogando dominó!Quem não gostou mesmo do apagão foi quem estava pronto para trabalhar ou se divertir em alguma casa noturna. O stylist Sylvain Justum era o DJ da noite no Sonique, bar descolado da região da avenida Paulista.
- Eu entrava à meia-noite para tocar, mas acabei nem saindo de casa. Me ligaram e combinamos de esperar, caso a energia voltasse. Como não voltou, sei que o bar acabou fechando, e quem estava lá teve que ir embora. Vamos tentar transferir a festa para a semana que vem, né?
Na loja de luxo Daslu, o evento de lançamento da grife Seven for All Mankind foi interrompido por cerca de 20 minutos, quando os geradores foram acionados.
Daí, “a galera começou a ligar freneticamente para os amigos falando que lá tinha luz e que era para todo mundo ir para lá aproveitar a noite”, conta o fotógrafo Deco Rodrigues.
No clube de música eletrônica D.Edge, na Barra Funda, a estreia de uma nova festa, a Whoa, teve que ser adiada para a próxima semana, como explicou o gerente de marketing da casa, Tuta Menezes.
- Estávamos aguardando alguns famosos e personalidades da noite para a festa. Os funcionários vieram todos trabalhar, mas acabamos tendo que dispensar todo mundo. E acho que também as pessoas acabaram evitando sair de casa, já que até a meia-noite, quando desistimos da festa, ninguém havia aparecido por aqui.
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