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publicado em 03/09/2010 às 06h00:

SP tem mês mais poluído desde 2007

Capital paulista também teve agosto com pior qualidade do ar em dez anos

João Varella, do R7

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O mês passado teve o maior número de dias com qualidade do ar inadequada, má ou péssima desde dezembro de 2007, de acordo com dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). No total, foram 11 dias com condições ruins. O gás ozônio esteve em níveis que podem causar danos à saúde em todos eles. A quantidade de material particulado (MP10) e de Dióxido de Nitrogênio (NO2) esteve acima do limite aceitável em um desses dias.

Veja os cuidados para os dias de ar seco

Considerando somente os meses de agosto, a poluição registrada pela Cetesb no mês passado foi a maior em dez anos - em 1999, foram registrados 11 dias com condições inadequadas, entretanto, mais poluentes ficaram acima do limite no período.

O mês passado foi marcado na capital paulista por dias de tempo seco, o que dificulta a dispersão de material poluente. A cidade de São Paulo teve o agosto mais seco desde 1961, quando começou a ser feita a medição da umidade relativa do ar na capital, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), que levou em conta a umidade e o índice de chuvas nos 31 dias do mês.

A capital registrou o dia mais seco do ano, com umidade relativa do ar em 12%, durante agosto passado - São Paulo chegou a ter 11 dias consecutivos de alerta em razão da baixa umidade relativa do ar. Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), choveu apenas 0,8 mm no mês passado – cada milímetro de chuva equivale a um litro de água por metro quadrado.

Em agosto de 2007, o órgão registrou 0 mm, entretanto, o nível de poluição foi mais baixo. Segundo dados da Cetesb, naquele ano, houve dois dias de qualidade do ar inadequado.

Efeito estufa local

O professor Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), explica que, além da questão do tempo seco, o comportamento humano contribui para o aumento da poluição.

Ele explica que a urbanização desenfreada, somada ao uso indiscriminado do transporte individual, resultou em um microclima paulistano capaz de gerar uma espécie de efeito estufa localizado. Ou seja, as ondas de calor entram, mas não conseguem ser refletidas de volta para o espaço em razão da camada de poluição.

Em condições ruins do ar, a população sofre com tosse seca, mais cansaço, ardor nos olhos, no nariz, na garganta e com dificuldades para respirar. Crianças, idosos e pessoas com problemas cardiovasculares são mais sensíveis à poluição (veja abaixo o que fazer para amenizar os efeitos do tempo seco e da poluição). Saldiva diz que os usuários de ônibus são mais expostos aos poluentes.

O técnico em meteorologia Adílson Nazário, do CGE, diz que é difícil prever um novo período de baixa umidade relativa do ar. O especialista conta que há a possibilidade de uma massa de ar frio passar perto do litoral paulista no final de semana, o que pode trazer vento frio para a capital. Mesmo que não provoque chuva, a umidade do ar deve subir. Ele afirma que é esperada uma "limpeza da atmosfera" entre os dias 13 e 14 deste mês.

Veja os cuidados para os dias de ar seco

Tome bastante água. Para você ter certeza de que está bebendo a quantidade suficiente de água, tome o dobro do que está acostumado. Por exemplo: se você bebe quatro copos de água por dia, tome oito em dias secos.
Para aumentar a umidade do ar na sua casa, use um umidificador. Se você não tem um aparelho desses, faça o seguinte: molhe uma toalha de banho grande e torça. Pendure a toalha molhada entre duas cadeiras, deixando uma das pontas mergulhada numa bacia ou em um balde cheio d'água.
Use creme hidratante no corpo e no rosto. Se você sentir os lábios secos, use um protetor labial
Preste atenção nas pessoas acima dos 75 anos e nos bebês de até 1 ano. Ofereça bastante água para eles. Bebês que se alimentam exclusivamente do leite materno podem ganhar um pouquinho de água. Se ele estiver inquieto depois da mamada e não se acalmar, ofereça um pouco de água.
Para ter certeza de que as crianças estão bebendo bastante água, ofereça a elas um copo o tempo todo. Depois, observe se elas estão fazendo xixi. Se a criança não está indo ao banheiro frequentemente, ou se, quando vai, faz pouco xixi, isso é um sinal de que ela precisa de mais água.
Atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol também devem ser evitadas – principalmente no horário entre as 10h e 16h.
Na hora das refeições, prefira comidas leves: saladas, frutas, verduras, macarrão com molhos leves e pouca carne.

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