Após três anos sem reajuste, o valor da passagem de ônibus na cidade de São Paulo passará de R$ 2,30 para R$ 2,70 a partir desta segunda-feira (4). O anúncio, feito pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM),
no dia 20 de dezembro de 2009, vai pesar principalmente no bolso dos trabalhadores que não dispõem de vale-transporte, caso dos autônomos e das pessoas sem registro em carteira de trabalho. A avaliação foi feita pelo economista Rafael Paschoarelli, professor de Finanças da USP (Universidade de São Paulo).
A integração com o Metrô passará dos atuais R$ 3,65 para R$ 4. Com o novo valor, o transporte público em São Paulo passa a ser o mais caro do Brasil, segundo levantamento da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos). A SPTrans, empresa que gerencia o transporte público na cidade, foi procurada pela reportagem do R7 nos dias 29 e 30 de dezembro, mas não comentou o assunto.
Paschoarelli afirma que aqueles que recebem vale-transporte não sofrerão tanto o impacto do aumento no valor, já que a lei estabelece como gasto máximo para o trabalhador o desconto de 6% na folha de pagamento. O restante do custo fica com o empregador.
O aumento de R$ 0,40 na passagem de ônibus representa um reajuste de mais de 17% no valor atual. O prefeito Kassab já havia informado que iria reajustar o valor da passagem de ônibus em 2010, após cumprir a promessa de campanha de manter o valor “congelado” em 2009. No início do último mês de dezembro, o
R7 já havia
adiantado que a estimativa da oposição a Kassab na Câmara.
Além do impacto junto aos trabalhadores sem carteira assinada, o economista afirma que as pessoas que usam o transporte público para atividades de lazer, nos fins de semana também devem ser afetadas. Esse tipo de viagem tende a ficar mais restrita, segundo ele.
Para Paschoarelli, porém, o valor mais alto da passagem ajuda a custear investimentos no sistema. Embora pese no bolso do consumidor, sem aumento o poder público não consegue realizar investimentos na área.
O mestre em trânsito pela USP Horácio Augusto Figueira afirma ainda que o aumento da tarifa pode estimular a compra de motos. Consulta feito pelo R7 aponta que o consórcio de uma moto de 100 cilindradas, uma das mais populares disponíveis, sai mais barato do que pagar todos os dias duas passagens de ônibus.