Veja como foi o segundo dia de julgamento dos Nardoni
Maquetes e fotos deram tom mais técnico na terça-feira (23)
Silvia Ribeiro, do R7
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No segundo dia de julgamento do caso Isabella, os sete jurados ouviram explicações mais técnicas sobre o crime, diferentemente do primeiro dia, quando a emoção deu o tom com o depoimento da mãe da criança, Ana Carolina Oliveira.
A delegada responsável pelas investigações, Renata Pontes, falou sobre os indícios que a levaram a ter “100% de certeza” de que o casal Nardoni matou a criança. Já o médico legista do IML (Instituto Médico Legal) Paulo Sérgio Tieppo explicou, com a ajuda de fotos do corpo de Isabella em um telão, que as lesões são sinais de que a menina de cinco anos foi esganada antes de cair do sexto andar.
O promotor Francisco Cembranelli levou ao júri maquetes que reproduzem o local do crime, o que o ajudou a ilustrar os depoimentos. As fotografias da necropsia impressionaram os jurados e a platéia, que contou com a avó materna da criança, Rosa Cunha, parentes de Alexandre e Anna Jatobá, além da novelista Glória Perez.
A acusação também convocou o perito criminal da Bahia Luiz Eduardo Carvalho Dorea que afirmou que a perícia contratada pela defesa do casal “distorceu” um estudo dele sobre manchas de sangue como indícios no local do crime.
A perita criminal aposentada Delma Gama havia sido chamada pela primeira equipe de advogados, liderada por Marco Polo Levorin. A atual defesa, de Roberto Podval, afirmou desconsiderar o trabalho.
Em outro momento em que a Promotoria procurou desconstruir a estratégia da defesa, a delegada Renata Pontes, afirmou, após ser questionada por Cembranelli, que investigou todas as hipóteses sobre o crime. O casal Nardoni nega ter matado Isabella e responsabiliza uma terceira pessoa, não identificada pelo crime.
A delegada, assim como a mãe de Isabella, não foi liberada pela defesa. Roberto Podval pediu que Renata ficasse até o final do depoimento dos peritos. Quanto à mãe de Isabella, a defesa diz que cogita acareação com Alexandre Nardoni. O promotor disse que Ana passou mal durante a noite em que ficou isolada no Fórum da Barra Funda, zona oeste, de segunda (22) para terça-feira (23).
- É lamentável a postura da defesa de não liberá-la. Ela está sozinha e precisou de acompanhamento psicológico esta noite. Rezo para que nenhum mal aconteça a ela.
Segundo dia
O segundo dia de julgamento terminou às 19h30 de terça-feira. O encerramento ocorreu uma hora e meia antes do horário previsto pela assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, às 21h. O júri foi encerrado logo após o depoimento do perito criminal baiano Luiz Eduardo Carvalho Dórea, que durou poucos minutos.
No final da manhã de terça-feira, a assessoria do Tribunal de Justiça havia divulgado uma expectativa sobre o andamento do julgamento do caso Isabella. A previsão era de que, até o meio da tarde, fossem ouvidas todas as testemunhas de acusação – uma só da acusação e três em comum com a defesa. A perspectiva era de que até a hora do almoço da quarta-feira (24) todos os depoimentos fossem concluídos, incluindo os da defesa. Caso a estimativa fosse cumprida, os réus Alexandre Nardoni, de 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, de 26, serão ouvidos na tarde desta quarta. Com o depoimento do perito criminal baiano, a meta desta terça foi cumprida.