Veja como foi o terceiro dia de julgamento dos Nardoni
Defesa surpreendeu dispensando testemunhas e antecipando depoimento dos réus
Silvia Ribeiro, do R7
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A mudança de estratégia da defesa do casal Nardoni, acusado da morte de Isabella Nardoni, surpreendeu no início da noite desta quarta-feira (24): a maior parte de suas testemunhas foi dispensada sem depor após três dias de confinamento (os convocados ficam isolados para evitar que sejam influenciados). Com isso, nesta quinta-feira (25), Alexandre Nardoni, de 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, de 26 anos, começam a ser ouvidos. Eles negam a autoria do crime.
O advogado Roberto Podval, que defende o casal, disse que a demora do julgamento - até a noite do terceiro dia haviam sido ouvidas seis testemunhas - cansa os jurados e atrapalha a defesa.
Apesar de dispensar as testemunhas, entre elas o pedreiro que afirmou a um jornalista que a casa nos fundos do edifício London havia sido invadida, a defesa manteve a mãe de Isabella confinada, sob os protestos do promotor Francisco Cembranelli. A defesa cogita fazer uma acareação, em que Ana Carolina Oliveira ficaria frente a frente com Alexandre Nardoni. O pedido foi aceito na quarta-feira pelo juiz Maurício Fossen, que preside o júri.
Roberto Podval diz ter “muito interesse em fazer”, mas afirma temer ser “castrado, cerceado” quanto a temas que pretende tratar na acareação. Ele não deu exemplos. A defesa diz que só definirá o pedido de acareação após o interrogatório.
Do lado da acusação, a avaliação do terceiro dia de julgamento foi positiva. O promotor disse que a perita criminal Rosangela Monteiro deixou clara a dinâmica do crime. Ela afirmou, diante dos jurados, que Alexandre jogou a criança do sexto andar do prédio.
Para isso, citou testes que levaram em conta marcas de tela de proteção sobre camiseta semelhante à que o pai de Isabella usava na noite do crime.
Já a defesa disse que Rosangela deixou dúvidas. A assistente de Podval, Roselle Sogilio, procurou questionar a perita sobre supostas falhas e inconsistências do laudo. Entre as questões levantadas, está o porquê de uma mancha de sangue encontrada na porta do quarto de Isabella não ter sido considerada para explicar o crime.
Rosangela diz acreditar que as marcas, de digitais, podem ter sido feitas por um dos irmãos de Isabella e não se encaixam na dinâmica do crime.
Júri
O julgamento foi encerrado às 19h de quarta-feira, sem que os réus Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começassem a ser ouvidos.
O juiz Maurício Fossen decidiu encerrar as atividades após os advogados do casal Nardoni anunciarem a dispensa de oito das dez testemunhas exclusivas da defesa. Na sequência, Fossen avaliou a possibilidade de acareação entre Ana Carolina Oliveira e os Nardoni. Ele chegou a negar o pedido da defesa, mas em seguida voltou atrás.
Fossen decidiu reconsiderar quando estava fundamentando a decisão com base na lei 11.689/08, que alterou os procedimentos durante o tribunal do júri, que só permitia a acareação entre testemunhas. O juiz percebeu que esta lei feria o direito constitucional de plenitude de defesa e optou por mudar sua decisão.