São Paulo

30/4/2013 às 15h19

Padre Beto não foi excomungado por defender gays, diz Igreja

Em nota, entidade diz que excomunhão aconteceu porque ele não obedeceu aos superiores

Agência Estado

Um dia depois de excomungar o padre Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como padre Beto, a Igreja Católica tenta desvincular a relação da pena eclesiástica da defesa que ele fazia dos direitos dos homossexuais pela internet, em declarações, nas aulas e nos sermões das missas.

Em nota distribuída pela assessoria do bispado de Bauru (SP), o juiz-instrutor da excomunhão diz que o ato se deu porque padre Beto não obedeceu aos superiores e insistiu em manter um comportamento em desacordo com as regras do sacerdócio. Embora o bispo de Bauru, d. frei Caetano Ferrari, tenha exigido que o padre retirasse da internet os vídeos em que critica a postura da Igreja em relação aos temas sexuais, a nota afirma que o sacerdote não foi excomungado por defender os interesses dos homossexuais porque "isso não é matéria para excomunhão na Igreja".

O comunicado diz que a pena aconteceu "(...) de modo automático, em virtude da sua contumácia (obstinação) num comportamento que viola, gravemente, as obrigações do sacerdócio que ele livremente abraçou". A nota completa: "A excomunhão foi declarada porque ele se negou, categoricamente, a cumprir o que prometera em sua ordenação sacerdotal: fidelidade ao Magistério da Igreja e obediência aos seus legítimos pastores", diz no texto o juiz-instrutor, cuja identificação não foi divulgada pela Igreja, alegando motivos de segurança. O juiz é designado pelo Vaticano e foi nomeado para o caso pelo bispo Caetano.

Padre Beto reagiu à nota com indignação:

— Então, um padre pode ser pedófilo que ele não será excomungado só porque obedece aos seus superiores?

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De acordo com o presbítero, a nota do instrutor é "uma artimanha para tirar o foco da questão, pois hoje, em pleno século 21, a sociedade não tolera mais isso, não tolera mais inquisições", diz. Padre Beto também negou a versão dada pelo juiz-instrutor de que a excomunhão não tem relação com as declarações em defesa dos gays.

— Se fosse realmente isso, o bispo não teria exigido que eu retirasse os vídeos da internet com minhas reflexões sobre o assunto e pedisse perdão. Vejo essa carta como um pedido de socorro numa tentativa desesperada da Igreja de tirar foco sobre uma atitude intolerante que eles praticaram contra minha liberdade de reflexão e pensamento. Se não queria saber das minhas reflexões, por que a Igreja gastou dinheiro com minha formação, enviou-me para estudar e fazer doutorado na Alemanha, na mesma universidade em que estudou o papa Bento XVI e frei Leonardo Boff?

"Nem com fogueira"

Segundo o bispado de Bauru, após a punição religiosa, o eclesiástico enfrentará agora um processo para demissão do estado clerical, quando, então, não poderá mais ser chamado de padre e ficará impedido do exercício do ministério sacerdotal. Durante o processo, padre Beto ainda poderá ser chamado para dar esclarecimentos a um juiz-notário nomeado para reunir provas.

Por outro lado, se o clérigo demonstrar arrependimento, a Igreja poderá retirar a excomunhão, mas não a demissão. No entanto, não é esta a intenção de padre Beto.

— Não me arrependeria dos meus atos nem que ainda existisse fogueira.

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