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18 de Junho de 2013

13/12/2012 às 00h24 (Atualizado em 14/12/2012 às 12h35)

Polícia Militar nega que comunique toques de recolher

Paulistanos contam que a própria PM avisa à vizinhança para voltar mais cedo para casa

Ana Cláudia Barros, do R7

"Não há nenhum local no Estado de SP submisso ao crime", informa a PM EDISON TEMOTEO/ESTADÃO CONTEÚDO

Em uma série de reportagens especiais, o R7 revela como paulistanos têm sofrido desde o início da onda de violência mais recente no Estado. O motorista D., 54 anos, relata que mudou sua rotina em função de um rumor de toque de recolher na região de Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital.

— Eu e minha esposa tínhamos o hábito de andar de bicicleta à noite na [avenida] Inajar [de Souza], onde um policial foi baleado. Outro dia, estávamos na frente de casa e passaram avisando que já tinham pedido para o bar fechar. O mercadinho também havia fechado. Avisaram: “Não fica marcando, porque está tendo toque [de recolher]. Inclusive, fulano, sicrano já fecharam seus estabelecimentos”.

De acordo com D., o clima no bairro é de apreensão.

— Minha esposa já teve até pesadelos. Outro dia, precisei sair para buscar um documento no hospital. Era por volta das 19h, e ela pediu pelo amor de Deus para eu chegar antes das 21h.

A universitária L., 22 anos, moradora de Santana, na mesma região, é outra que acabou cedendo a um suposto toque de recolher. O caso aconteceu no mês passado.

— Eu fiquei sabendo, primeiro, pela minha professora da academia. O irmão dela é policial e tinha avisado que haveria um toque de recolher. Depois, a PM foi até o trabalho da minha mãe, em Congonhas, para avisar que teria toque de recolher na zona norte e voltaram todos mais cedo.

Toque de recolher em SP: a ordem vem do crime?

Além dela, vizinhos também deixaram de sair de casa naquele dia.

— Eu acatei. A gente foi avisando ao pessoal da região. Vizinho ligando para vizinho. Não fui para a faculdade naquele dia. Fiquei em casa quietinha.

Questionada sobre o fato pelo R7, a Polícia Militar informou que não tem como procedimento "avisar" setores da sociedade civil para alertar sobre "toque de recolher". “Não há nenhum local no Estado de São Paulo submisso ao crime”, completa a nota.

*As iniciais foram trocadas para preservar a identidade das fontes

 

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