São Paulo

23/5/2013 às 01h10 (Atualizado em 23/5/2013 às 14h50)

Principal prova contra vigia acusado de ajudar a matar Mércia pode ser alterada, diz defesa

Acusação diz que réu sabia das intenções de Mizael e o ajudou a matar a advogada

Vanessa Beltrão, do R7

Mércia Nakashima desapareceu no dia 23 de maio de 2010 Reprodução/RedeRecord

As antenas que completam as ligações de celular foram uma das principais provas usadas pelo Ministério Público para condenar Mizael Bispo. As chamadas Erbs serão novamente utilizadas no julgamento do vigia Evandro Bezerra da Silva marcado para o dia 29 de julho, no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.  O advogado do réu, Aryldo de Paula, contesta uma planilha telefônica entregue pelas operadoras e diz que ela está sujeita à alteração.

— A planilha telefônica que foi juntada no processo veio em Excel e não em PDF, então se eu quiser colocar o Evandro aqui na porta do meu escritório, eu coloco. Essa prova tem que ser firme para uma condenação. Vou abrir esse CD para os jurados e vou alterar lá, vou colocar o endereço do fórum e vou perguntar para os jurados: se eles fossem réus, o que eles achariam se fossem condenados com base numa prova dessas?

O vigia Evandro é acusado de participação no assassinato da advogada Mércia Nakashima em maio de 2010. Ele responde ao processo com duas qualificadoras: meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

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No dia do crime, 23 de maio de 2010, o acusado e o policial militar reformado se falaram 17 vezes pelo celular.  A última ligação entre os dois teria acontecido às 19h42. Na época do crime, Evandro trabalhava como segurança de um posto de gasolina em Guarulhos.

Segundo o promotor Rodrigo Merli, o acusado teria dito que saiu do posto de gasolina e foi para Nazaré Paulista buscar Mizael.

— Saiu do posto por volta das 19h30, 20h e foi direto para Nazaré Paulista. Mentira, a gente tem a quebra do telefone do Evandro que dá desde às 19h, uma hora antes do que ele falou que saiu. Ao invés de estar na região do posto ou no caminho para Nazaré, está em volta da casa da Mércia e da avó da Mércia. Se tivesse no posto e falasse no telefone, ia dar toda antena próxima do posto. Ele foi atrás do Mizael, eu tenho certeza absoluta.

A acusação sustenta que Mizael, antes de ir a Nazaré Paulista, teria deixado o carro no Hospital Geral de Guarulhos e ido dentro do carro do Evandro, junto com o vigia, rondar a casa da advogada e da avó dela. Isso, segundo o promotor Rodrigo Merli, teria acontecido por volta das 18h37.

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Porém, de acordo com a defesa, em nenhum momento, “eles estão juntos, sempre de 2km a 17 km de distância”, segundo as Erbs utilizadas para as ligações.

Para tentar derrubar a tese da acusação, o defensor Aryldo de Paula utiliza, como exemplo, a ligação entre os dois ocorrida às 18h07 do dia 23 de maio, data do crime. De acordo com Aryldo, a chamada dura 16 segundos e a torre utilizada pelo vigia seria da rua Varzelândia, em Guarulhos. Ainda de acordo com a defesa, a distância para a casa da advogada é de 14 km e 400 m e para rua da avó dela, é de 16 km.

Embate

A defesa irá sustentar em plenário que Evandro foi buscar Mizael em Nazaré Paulista, mas não sabia o que estava acontecendo no local. O advogado do vigia, Aryldo de Paula, afirmou que Mizael na época teria dito ao Evandro que estava em uma festa em Nazaré Paulista.

A promotoria diz que provará que o réu sabia das intenções de Mizael e o ajudou a executar. Segundo Merli, existem provas dos encontros do ex-namorado de Mércia com Evandro que teriam acontecido em um posto de gasolina em Guarulhos, onde o vigia trabalhava como segurança.

— Quando o carro do Mizael está parado no posto, nas semanas anteriores [ao crime], era tudo rapidinho, ele chegava, parava, cinco minutos ia embora. Próximo do dia 23 [data do crime], o extrato do carro dele [GPS] passa a ficar até 1h30 parado no posto.

Sequestro

Outro aspecto que será levantado pela defesa será a possibilidade de Mércia Nakashima ter sido sequestrada.  De acordo com Aryldo, existe no processo uma denúncia anônima relatando que no dia 23 de maio, uma mulher oriental teria sido levada para uma casa na via Viela Nelson Andrade, em Sapolândia, Guarulhos, na Grande São Paulo.  Na época, segundo o defensor, existia a suspeita de que fosse Mércia. Na época, o delegado Antônio de Olim, ainda teria ido ao local, porém os dois suspeitos, sendo um menor de idade, foram levados para delegacia e depois liberados pela polícia.

— O que ele [delegado] deveria ter feito: requisitado perícia nos dois, ter isolado o local. Ter verificado se haveria ali algum indício de sequestro, roupa da Mércia, cabelo da Mércia, sangue e nada disso ele fez.

Ainda segundo Aryldo, no dia 24 de junho de 2010, um dia depois do crime, a irmã de Mércia, Cláudia Nakashima,  teria ligado para os dois celulares da vítima que só faziam chamar e cair na caixa postal. Os telefones celulares foram encontrados dentro da represa. A defesa vai indagar em plenário como os aparelhos poderiam ter chamado se estavam na água. Essa ligação também estaria no processo.

A questão da suposta tortura alegada por Evandro  durante o seu depoimento em Aracaju, Sergipe, também será debatida em plenário. Quando foi detido no Nordeste, o vigia alegou que foi torturado para afirmar que ajudou Mizael no assassinato da advogada.

Testemunhas

Além do investigador, serão arroladas pela defesa o suposto pescador considerado a principal testemunha do crime.  O homem estaria na margem da represa e teria visto, no dia 23 de maio, mesmo dia que a vítima desapareceu, um carro chegar. Em seguida, ouviu gritos de uma mulher bastante nervosa e, cerca de três minutos depois, presenciou um homem saindo pela porta do motorista e empurrando o carro para dentro do reservatório. 

Também serão convocados um funcionário do posto de gasolina, um feirante e uma testemunha que num primeiro depoimento disse ter visto Mizael e Evandro dentro de um carro em Nazaré Paulista no dia 24 de junho de 2010, um dia depois do desaparecimento da advogada. Porém, o advogado de defesa a convocou porque dentro do processo consta que o vigia havia deixado a cidade no dia 12 de junho de 2010. Evandro só foi preso pela polícia na madrugada do dia 23 de junho de 2012, na cidade de Olho D'Água das Flores, em Alagoas.

Já a promotoria, também vai convocar o delegado Antônio de Olim, o advogado Arles Gonçalves Junior, membro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que foi indicado na época para acompanhar o inquérito policial e um engenheiro de telecomunicações para falar sobre a questão das Erbs.  

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