Vítimas de desabamento em Sorocaba são sepultadas

Polícia Civil vai concluir investigações sobre acidente em trinta dias

Muro de construção histórica desabou deixando sete mortos em Sorocaba Bruno Cecim/Estadão Conteúdo

A Polícia Civil vai concluir em trinta dias as investigações sobre o desabamento do muro de uma fábrica histórica que causou a morte de sete pessoas na noite de quinta-feira (20), em Sorocaba, a 92 km de São Paulo. Seis vítimas serão sepultadas neste sábado em cemitérios da cidade. O prefeito Vitor Lippi (PSDB) decretou luto por três dias.

Os corpos da assistente administrativa Evelin Cristina Siqueira, de 30 anos, do seu filho Tiago Alves Siqueira, de 5, e da irmã Nhayara Pamela Airola, de 25, serão sepultados no Memorial Park, onde também será depositado o corpo do vigilante Rayner Alves, de 28. Os corpos do taxista Humberto Dias Ferreira, de 53 anos, e de Samantha Bianca da Conceição, de 24, serão sepultados no cemitério Santo Antonio. O médico Adilson Nunes Filho, de 35 anos, será enterrado no Cemitério Municipal de Cerquilho, cidade onde morava.

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Evelin, o filho e a irmã estavam num dos quatro carros atingidos pelos escombros. Outro filho de Evelin escapou por pouco do acidente: a família fazia compras para o Natal e ele preferiu ir de carro com a avó materna, que seguia um pouco à frente. O pai do vigilante Rayner aguardava o filho que saíra do trabalho quando ouviu notícias do acidente. Como o vigilante estava no trajeto, foi até o local e acabou reconhecendo o filho entre as vítimas. Samantha também voltava das compras com o marido quando ocorreu o desabamento. Ela morreu na hora, enquanto ele, retirado dos escombros, apresentou sinal de vida e foi levado ao Hospital Regional. Seu estado era considerado estável na sexta-feira.

O taxista Humberto havia saído do ponto em que trabalhava havia 14 anos, no Mercado Municipal, e seguia para casa. Ele estava sozinho no carro atingido pelos tijolos, assim como o médico Adilson. Pai de dois filhos, o endocrinologista atendia em sua clínica particular e no hospital Unimed de Sorocaba. Familiares e amigos das vítimas lotaram os salões da funerária Ofebas, onde os corpos de cinco pessoas foram velados, em clima de tristeza e revolta. As pessoas cobravam rigor na apuração das causas do desabamento.

O delegado José Antonio Belloti, da Delegacia Seccional, acompanhou na sexta-feira o trabalho dos peritos da área de engenharia da Polícia Civil. — O laudo vai se somar às outras provas para elucidar as circunstâncias do acidente, mas ainda é cedo para dizer se haverá indiciamentos. Ele requisitará as imagens de câmeras de monitoramento do trânsito que registraram a queda do muro, de dez metros de altura. O prédio da Fábrica de Tecidos Santo Antonio, inaugurado em 1913, era tombado pelo patrimônio histórico municipal e estava em obras. As instalações estavam sendo restauradas para abrigar um shopping. A prefeitura também investiga o acidente. Os bombeiros que resgataram as vítimas informaram que chovera muito e o muro pode ter sofrido infiltração.

O Patio Cianê, empresa que constrói o shopping, informou em nota ser "prematuro" apontar uma causa para o acidente. De acordo com a empresa a obra estava devidamente licenciada pelos órgãos oficiais responsáveis e correndo dentro de todos os padrões usuais de segurança e qualidade, acompanhada pela construtora Fonseca e Mercadante. A empresa lamentou "profundamente" o acidente e informou estar prestando as informações necessárias às autoridades.

O diretor de desenvolvimento do Pátio Cianê, Jefferson Tagliapietra, disse que os trabalhos não tinham chegado ainda ao local do desabamento. — Era uma área que estava intacta, conforme havia sido construída. O prédio tem fundações e foi construído com um padrão muito bom para a época.

Fotos postadas no site da Fonseca e Mercadante mostram estágios da obra anteriores ao desabamento. As imagens focam máquinas fazendo a remoção de terra e a estrutura da fábrica Santo Antonio com as paredes expostas. O telhado antigo do prédio havia sido removido anteriormente. Técnicos da Defesa Civil avaliam as condições da parte do paredão que não caiu para definir se haverá necessidade de demolição. A rua Comendador Oeterer, em cuja calçada fica o muro, continua interditada para veículos.

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