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Saúde

6/6/2013 às 00h30 (Atualizado em 6/6/2013 às 13h00)

Com diagnóstico de câncer sem cura, Oscar Schmidt concilia tratamento com realização de sonhos

Médico que acompanha o ex-jogador de basquete diz que otimismo ajuda na luta contra a doença

Fabiana Grillo, do R7

Câncer no cérebro não tem cura, diz médico de Oscar Schmidt DJALMA VASSÃO/Gazeta Press

Mesmo com fortes enjoos decorrentes da quimioterapia e consciente de que o câncer no cérebro não tem cura, o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, de 55 anos, enfrenta a doença de forma bem-humorada. Para o neurocirurgião Marcos de Queiroz, médico que acompanha Schmidt, o otimismo é fundamental nesta fase do tratamento.

— A evolução de qualquer tipo de câncer em pacientes deprimidos é mais rápida do que em pessoas que têm mais energia para tratá-lo. O Oscar está 100% focado no tratamento e demonstra uma vontade enorme de vencer esta batalha.

Segundo o médico, o tempo de sobrevivência do paciente vai depender da gravidade do quadro e da resposta do organismo ao tratamento, "podendo variar de dois a dez anos". Mas isso não parece abalar o maior cestinha da história do basquete mundial. Em entrevista recente ao Domingo Espetacular, da Record, Schmidt disse que "este tumorzinho pegou o cara errado" e está certo de que ainda há tempo de aproveitar a vida.

— Depois que descobri o tumor, não guardo mais dinheiro, só gasto, especialmente com viagens e joias para a minha mulher. Caixão não tem cofre.

Em setembro, ele receberá uma das grandes homenagens do basquete, entrando para o Hall da Fama.

Além de Michael Douglas, veja outros famosos que lutaram contra o câncer

A doença começou há dois anos quando Schmidt foi submetido a uma cirurgia no cérebro para retirar o tumor grau dois que, segundo ele, era do tamanho de uma laranja. Recentemente, o câncer voltou e o ex-atleta precisou passar por uma nova cirurgia, conforme explica o médico.

— Apesar de pequeno, o tumor voltou um pouco mais agressivo. Numa escala que vai de um a quatro, ele foi classificado como grau três.

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Agora, o ex-atleta segue o tratamento com radioterapia e quimioterapia via oral, ou seja, o medicamento é usado em casa e tem menos efeitos colaterais. O neurocirurgião Paulo Sanematsu Junior, diretor de neurocirurgia do A.C. Camargo Cancer Center, explica que o tratamento do câncer no cérebro visa preservar a qualidade de vida.

— Como a doença não tem cura e não sabemos quanto tempo o paciente vai sobreviver, o tratamento tem como objetivo proporcionar bem-estar e qualidade de vida. Se o tumor não for tratado, a pessoa pode apresentar problemas de visão, fala e movimento, dependendo da área do cérebro que ele afetar.

Felizmente, este não é o caso do ex-jogador de basquete. Apesar das duas cirurgias, Schmidt não teve sequelas. Com o apoio e o carinho da mulher Maria Cristina e dos dois filhos, Felipe e Stephanie, Schmidt não desanima, conforme conta Queiroz.

—A família está mais abatida do que ele, mas eles estão sempre ao lado de Oscar. Tenho certeza de que ele vai lutar até o último minuto.

Entenda o câncer de cérebro

Segundo Sanematsu, o câncer de cérebro é uma doença rara, sendo que o grau quatro (o tumor mais agressivo) costuma aparecer após os 50 anos de idade. Como o cérebro comanda todas as funções do corpo, ele explica, os sintomas estão relacionados ao local que o tumor atingir.

— O paciente pode apresentar problemas de visão, por exemplo, se o tumor afetar a área do cérebro responsável por esta função. Mas, o sintoma mais frequente e significativo é convulsão, especialmente acima dos 18 anos.

Neste caso, o especialista orienta a realização de uma ressonância magnética para destacar a hipótese de tumor ou fazer o diagnóstico correto. Embora muitas pessoas acreditem que estresse, traumatismos ou uso frequente de celular possam causar a doença, o médico é enfático.

— Isso é mito. A única coisa que pode causar tumor cerebral é radioterapia.

Sanematsu acrescenta que existe componente genético, mas o câncer de cérebro não é hereditário e nem tem prevenção. No entanto, ele garante, é possível conviver com a doença com qualidade de vida, “desde que o paciente siga o tratamento e seja otimista”.

 

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