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Diabéticos sofrem em UBS de SP: ‘Me disseram para usar agulhas descartáveis mais de uma vez’

Itens como seringas e tiras de testes estão indisponíveis desde dezembro

Do R7*

Insumos têm prazo indeterminado para entrega em UBS
Insumos têm prazo indeterminado para entrega em UBS Thinkstock

Pelo menos desde dezembro do ano passado, pacientes diabéticos atendidos pela UBS Parque Anhanguera, no bairro Jardim Britânia, sofrem com a falta de insumos para a aplicação de insulina. Entre os itens que não estão sendo entregues às unidades estão seringas, tiras de teste e lancetas.

Segundo a dona de casa Elisangela da Silva Cardoso Paulino, 42, que tem uma filha de 17 anos com diabetes do tipo 1, ela vai todas as semanas na UBS para tentar retirar os itens, mas a resposta que ela sempre recebe é que eles estão em processo de compra e devem chegar em dez dias.

— Eu sei que a funcionária não tem culpa, mas por causa dessas faltas uma das funcionárias chegou até a me orientar para utilizar as agulhas descartáveis mais de uma vez. Eu cheguei a fazer isso e a ponta da agulha abre no meio. O braço da minha fica todo inchado.

Pacientes sofrem com a falta de seringas para aplicação de insulina em posto de São Paulo

Vendidas em pacotes de dez unidades por cerca de R$ 20, as agulhas das seringas que a filha de Elisangela precisa custam caro para o orçamento da família. Dependendo do índice glicêmico da adolescente, ela tem que tomar insulina até seis vezes ao dia e a quantidade de agulhas que Elisangela pode comprar nunca é suficiente.

— Meu marido é autônomo e a gente não tem condições de ter esse tipo de gasto. Eu cheguei a chorar no posto. A gente fica chateado, mas se a situação continuar assim, nós vamos ter que dar um jeito de continuar comprando na farmácia, não temos opção. Minha filha é dependente de insulina.

Já as tiras de teste, outro item indispensável para diabéticos, custam R$ 98. A embalagem contém 50 unidades e, para filha de Elisângela, a quantidade é suficiente para apenas 8 dias, sendo que no 9º dia sobram só duas e a mãe precisa repor o estoque.

— Houve uma época que eu até comprei adesivos de insulina, mas não é uma coisa que dá para fazer sempre.

O R7 entrou em contato com a Ouvidoria da Prefeitura de São Paulo, que confirmou que os produtos estão em processo de compra e que não há prazo para que eles sejam entregues.

Outro lado

Em nota, a SMS (Secretaria Municipal da Saúde) de São Paulo informou "que a partir de setembro de 2016 as compras de medicamentos e suprimentos foram reduzidas drasticamente — e limitadas a 10% do que era necessário para atender à população. Em janeiro deste ano, houve a retomada dos processos de compras e a pasta diminuiu de oito para cinco dias úteis o prazo de entrega dos medicamentos para as unidades, assim que chegam no almoxarifado central. Sobre as seringas, esclarecemos que a compra está em fase final e que os fornecedores foram cobrados para que entreguem o produto o mais rápido possível. A pasta municipal ainda informa que não falta insulina nas UBSs e que houve abastecimento de toda a rede no início do ano.

Caíque Alencar, do R7*

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