Saúde

19/12/2012 às 14h06 (Atualizado em 19/12/2012 às 14h33)

Idosa com síndrome rara não consegue tirar músicas da cabeça

Cath Gamester conta que transtorno começa desde que acorda e só termina pouco antes de dormir

BBC Brasil

Britânica Cath Gamester ouve uma lista de seis músicas em sua cabeça dia e noite, sem parar Reprodução BBC

Aos 84 anos, a aposentada britânica Cath Gamester sofre de uma síndrome rara que anualmente afeta apenas um em cada 10 mil sexagenários.

Trata-se da ear syndrome, ou síndrome do ouvido musical, embora no Brasil o tema seja tratado simplesmente pelo termo 'alucinações musicais'.

Os idosos que sofrem com o problema tendem a ouvir uma lista de seis a dez músicas que se repetem constantemente em suas cabeças.

Eles contam que o transtorno começa desde que acordam e vai evoluindo ao longo do dia, passando por suas tarefas diárias, como assistir TV.

O problema só termina pouco antes de dormir. E o pior é que as músicas são sempre as mesmas.

No caso de Gamester, a lista inclui Parabéns a Você, o hino nacional britânico, e hinos religiosos, sempre na voz de um tenor masculino — que ao menos é do seu agrado.

— É um tenor, uma voz de homem. E é uma voz bonita, muito forte e alta, com música de som de fundo.

Dentre as seis canções que ela ouve sem parar, uma delas é, sem dúvida, a pior.

— A música Parabéns a Você - a cada dois minutos estou desejando feliz aniversário para alguém - odeio essa.

A aposentada explica que tudo começou há dois anos, quando sua irmã morreu e ela começou a tomar antidepressivos. Mas mesmo depois de interromper o tratamento, as músicas não cessaram.

— Fui dormir, e quando acordei, por volta das 8h da manhã, logo ouvi a música, e era o hino nacional. Olhei por todos os lugares, abri a porta de casa. Achei que eram os vizinhos, mas me dei conta de que estava dentro da minha cabeça.

Hinos e canções de natal

O psiquiatra Nick Warner, que é especialista em idosos, acompanhou uma série de pacientes com alucinações musicais.

Ele explica que o problema não tem nada a ver com os ouvidos, e que é interessante perceber que na maioria dos casos as músicas são muito parecidas, senão as mesmas.

— Percebi que muitas pessoas com a doença ouviam hinos religiosos e canções de Natal. Particularmente o hino abide with me ('permaneça ao meu lado', em tradução livre), ouvido por 50% dos pacientes.

'É um hino muito reconfortante. Há de se especular se há algo em específico gerando essa necessidade de segurança quando se está envelhecendo. [Uma mensagem] de que você não está sozinho e de que está seguro', diz.

Especialistas também levam em consideração o fato de que em grande parte dos casos os pacientes são idosos e vivem sozinhos.

Outros pesquisadores se perguntam se o problema pode estar relacionado com a perda de audição e uma tentativa do cérebro de preencher o vazio com músicas muito conhecidas do paciente.

Pesquisa

Uma reportagem do diário americano The New York Times publicada anos atrás diz que, apesar de serem conhecidas há mais de um século, as alucinações musicais ainda não são muito estudadas.

Em um estudo de 2005, publicado no Jornal Britânico de Psicopatologia, o mesmo Nick Warner realizou uma análise de 30 casos acompanhados por 15 anos.

Ouvir música libera substância química que faz bem ao cérebro

Ele chegou à conclusão que, em dois terços dos casos, a alucinação musical era a única perturbação mental dos pacientes.

Warner também descobriu que um terço era total ou parcialmente surdo. As mulheres tendem a sofrer mais do que os homens, e a média de idade dos doentes é de 78 anos.

Os pacientes acompanhados ouviam uma grande variedade de canções ouvidas repetidamente durante a vida ou com algum significado emocional. E em dois terços dos casos eram músicas religiosas.

A pesquisa também revelou que as alucinações são distintas daquelas sentidas por portadores de esquizofrenia - estes escutam apenas vozes, e não a mesma sequência de músicas.

Aos que sofrem com as alucinações, Cath deixa uma mensagem de esperança:

— Gostaria de dizer a todos que têm o mesmo problema que eu, para que sejam felizes, aproveitem a vida mesmo assim. Aprendi a valorizar o fato de que ao menos não tenho uma doença grave.

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