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publicado em 16/11/2009 às 06h00:

Veja como é possível tratar e acabar com as dores crônicas

Mais do que um sintoma, ela passou a ser vista como doença crônica e deve ser tratada

Claudia Pinho, do R7

Primeiro foi uma dor nos dedos. Depois, foram nas mãos e nos braços. Mas como a rotina da cabeleireira Kátia Aparecida da Silva, 36 anos, era atender em média dez clientes por dia, ela achou que tal desconforto fosse consequência das horas que passava empunhando o pesado secador de cabelos.

Kátia só se deu conta de que o problema era mais sério quando a dor passou a afetar todo o seu corpo. Para dormir era um suplício, não havia posição que aliviasse seu desconforto. Era difícil comer, pois mastigar implicava em ter dores horríveis em toda a face. Até o abraço dos filhos, pequenos na época, era uma tortura para a cabeleireira.

- Eu gritava de dor. Minha vida era um inferno. Meus amigos se afastaram, meu casamento acabou, e eu entendo. Afinal, eu reclamava o tempo todo.

Tão difícil quanto enfrentar a dor, foi a peregrinação de Kátia pelos consultórios médicos até que um deles desse o diagnóstico correto: fibromialgia. A doença é caracterizada por uma dor crônica que afeta indiscriminadamente articulações e músculos. E não tem cura. Mas tem tratamento.

Cinco anos depois dos primeiros sintomas, Kátia está bem. Sob acompanhamento médico, ela toma dois medicamentos (uma mistura de antiinflamatório, analgésico, antidepressivo e relaxante muscular) e leva uma vida quase normal.

- Dor eu não sinto mais, mas tenho algumas limitações. Não posso ficar muito tempo em pé ou fazer muito esforço físico. Na semana passada fui a um show do Vitor e Léo e não consegui ficar até o final. Mas não posso reclamar.

As dores crônicas afetam 40% dos brasileiros

A fibromialgia é uma das mais importantes dores crônicas que afetam a população do Brasil. Segundo dados da SBED (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor), cerca de 40% dos brasileiros sofrem algum tipo de dor. Entre elas, aquelas de natureza inflamatória como a própria fibromialgia, artrite, dores lombares, cefaléias (principalmente a enxaqueca), e as de natureza neuropática, como traumas na coluna e AVC.

São dores limitantes, que impedem a pessoa de ter uma vida normal. A vítima não dorme direito, fica impossibilitada de trabalhar e de se relacionar socialmente. A dor é a maior causa de sofrimento entre os pacientes.

Até pouco tempo atrás, a dor era considerada apenas um sintoma de alguma outra enfermidade. Mas hoje ela é encarada de outra maneira. De acordo com o neurologista Carlos Maurício de Castro Costa, presidente da SBED e professor da Universidade Federal do Ceará, "ela até pode ser o sintoma de um mal sério, mas quando não se encontra qualquer motivo por trás, ela torna-se a própria doença".

O conceito mudou tanto que hoje, em muitos hospitais, a dor é considerada o 5º sinal vital. Isso significa que quando a pessoa dá entrada no pronto-socorro, a equipe médica vai medir a sua pressão, o pulso, a temperatura, a respiração e vai perguntar se o paciente sente alguma dor. E é ele que vai quantificá-la: por meio de uma régua, ele vai indicar de zero a dez, a sua intensidade.

O assunto é tão urgente que a sociedade que a SBDE lançou a campanha "A dor para a vida das pessoas. Pare a dor". O primeiro passo foi a "Parada da Dor", que aconteceu domingo (7) no Mercado Municipal de São Paulo. Na ocasião, atores circulavam pelo local caracterizados como bailarinas, lutadores de boxe, crianças, malabarista, etc. Por cinco minutos eles ficavam imóveis, numa alusão ao fato da dor paralisar a vida de quem sofre com ela. A intenção, agora é levar a campanha para os meios de comunicação.

Segundo Costa, "o objetivo da campanha é fazer as pessoas pensarem na dor, em como ela está sendo conduzida, a quem procurar, e o que ela representa social, pessoal e economicamente. E alertar contra a automedicação".

Para Fabíola Peixoto Minson, clínica de tratamento de dor do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, "a dor no Brasil é muito importante, mas é subtratada. Ela afeta 70% dos idosos".

Uma das causas apontadas para essa situação é a falta de informação da sociedade e a inexperiência dos profissionais de saúde. Os próprios médicos têm dificuldade em fazer o diagnóstico correto do problema. Para Costa, "o diagnóstico é difícil. As faculdades de medicina não oferecem uma disciplina específica sobre dor. Os médicos são pouco informados. Diante de uma queixa de dor, eles receitam paracetamol dipirona e não investigam o problema".

 

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