Getty ImagesA Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado promoveu nesta segunda-feira (2) uma audiência pública sobre a proibição da venda alguns remédios para emagrecer, proposta pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O órgão quer banir os compostos que atuam no sistema nervoso central: a sibutramina e os derivados anfetamínicos femproporex, dietilpropiona e mazindol. O orlistate, que atua no intestino, permanece no mercado. Ainda não é certo que a proibição vai ser adotada.
O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, disse que a proibição segue estudos técnicos e mencionou o fato de diversos países terem proibido ou restringido esses medicamentos.
Mas a endocrinologista Rosana Bento Radominski, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, questionou os estudos usados pela Anvisa. A médica disse que "não há necessidade de proibição, sendo mais recomendável um maior controle sobre o uso dessas medicações, para que elas sejam utilizadas corretamente e quando realmente forem necessárias".
- A obesidade é uma doença e precisa ser tratada.
Ela disse que "não existem medicamentos sem nenhum efeito adverso e que é preciso contrabalançar riscos e benefícios".
Já o médico sanitarista José Ruben Bonfim, coordenador-executivo da Sobravime (Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos), criticou o uso desses tipos de inibidores de apetite. Ele afirmou que o Brasil "não pode ser o último país do mundo a bani-los". Segundo ele, uma das principais razões para "essa defesa aguerrida" dos anfetamínicos e da sibutramina são os interesses comerciais da indústria que fabrica esses produtos.
A comissão ainda vai fazer outro debate sobre o assunto. O presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), informou que a reunião ocorrerá no próximo dia 31. As informações são da Agência Senado.