27 de Maio de 2012
Conversa de meia hora com profissional de saúde pode ser eficaz para tratar o problema
A pesquisa avaliou a eficiência do modelo de intervenção breve, em que o paciente conversa com um profissional treinado por um período de 30 a 40 minutos, e descobriu que a técnica conseguiu fazer com que as pessoas reduzissem o consumo da bebida em 72% dos casos.
O estudo levou em conta dados de pacientes de UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e do Programa de Saúde da Família nas cidades de São Paulo, Diadema, no Estado de São Paulo, e Curitiba (Paraná). Para a pesquisa, 4.335 pessoas responderam a um questionário que classifica o nível de risco do uso de álcool e outras drogas – a ideia é perceber como essas substâncias afetam a vida do indivíduo.
Entre os participantes, 208 foram classificados como usuários de risco, um estágio intermediário entre o consumo moderado, em que a pessoa não tem problemas como a bebida, e a dependência mesmo do produto.
Essas pessoas, que tem o “sinal amarelo” aceso para o problema do alcoolismo, já apresentam problemas por causa da bebida, como fissura por não consumi-la durante um certo tempo, e até dificuldades físicas, como gastrite, dor de estômago e enjoos. Além disso, elas podem ter dificuldades na vida social, como faltar à escola ou ao trabalho por ter exagerado na dose na noite anterior.
Uma pesquisa feita em 2009 e divulgada em junho deste ano pelo Ministério da Saúde indicou que 18,9% afirmam ter exagerado na bebida nos 12 meses anteriores. Para o ministério, exagerar na bebida alcoólica significa o homem tomar cinco ou mais doses de bebida em uma mesma ocasião (como uma festa). No caso das mulheres, quatro doses já é considerado excessivo.
De acordo com a pesquisa os homens tomam mais "porres" do que as mulheres: 28,8% deles dizem ter exagerado na dose, contra 10,4% delas. Analisando as diferenças nos hábitos de acordo com a idade, os abusos na bebida são mais frequentes entre os jovens de 18 a 24 anos – 23% dos jovens nessa faixa etária admitiram ter exagerado.
Pessoas não percebem o problema
De acordo com a psicóloga Vânia Vianna, pesquisadora da Unifesp, são “raríssimos” os casos de pessoas que percebem que estão nessa condição e dos problemas que podem enfrentar.
– Muitas delas não fazem ideia da condição. Elas acabam sendo classificadas como pessoas que bebem socialmente, mas esse conceito é muito vago. A pessoa pode falar que toma uma caixa de cerveja em um churrasco e diz que faz uso social da bebida.
Na pesquisa, metade dos pacientes nesse estado passou pela intervenção breve, enquanto o outro grupo apenas recebeu o diagnóstico e não foi tratado. De acordo com Vânia, nesse tipo de intervenção a pessoa é alertada sobre os perigos do consumo exagerado da bebida e recebe estratégias para a redução desse uso. Além disso, o profissional de saúde conversa com ela sobre atividades prazerosas que podem substituir a droga. A ideia básica é reforçar a autoestima do indivíduo.
A pesquisadora diz que os resultados mostram que um programa de baixo custo, que não exige necessariamente a presença de um médico ou de medicamentos, pode ser eficaz no combate ao problema. Ela afirma também que é importante prestar atenção a esse público.
– É uma faixa da população que fica desassistida, porque em geral as campanhas sobre álcool e drogas focam muito as pessoas que não fazem qualquer uso desses produtos, com o objetivo de elas não experimentarem, ou aqueles que já estão dependentes e precisam de serviços especializados para tratamento.Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
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