27 de Maio de 2012
Veja como diminuir a exposição aos resíduos com dicas de especialistas
Mesmo sabendo que alguns alimentos são cultivados com agrotóxicos, nem sempre é possível deixar de consumi-los. Os motivos são simples e essenciais: eles estão muito mais disponíveis em feiras e supermercados e são bem mais baratos do que os orgânicos. Dica 2: Deixar os alimentos Dica 3 A principal garantia para
Depois da divulgação do ranking da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que mostra os alimentos com maior número de amostras contaminadas por agrotóxicos, fica a dúvida se a ingestão das frutas, verduras e legumes listados pode trazer problemas de saúde. A resposta divide opiniões.
De acordo com Frederico Peres, autor do livro “É veneno ou é remédio? – agrotóxicos, saúde e ambiente”, da editora Fiocruz, “ainda existe muita incerteza sobre o real impacto à saúde humana decorrente da ingestão de alimentos com resíduos de agrotóxicos.”
Câncer e diminuição da fertilidade
Mas, segundo o pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Fiocruz, pesquisas já mostram a possibilidade de alterações na função de hormônios da tireoide, antecipação da primeira menstruação, diminuição da fertilidade masculina e desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
- Há evidências que resíduos de alguns agrotóxicos podem estar associados a alterações no sistema endócrino, problemas no desenvolvimento do sistema nervoso e, mesmo, a alguns tipos câncer. Essas evidências vêm sendo confirmadas a cada ano, a cada novo estudo, e esse é, certamente, um tópico que precisa estar nas pautas das políticas de saúde pública no país.
O diretor da Anvisa, Agenor Álvares, citou os mesmos riscos no dia da divulgação do relatório.
Os “vilões” do ranking da Anvisa são o pimentão (mais de 90% das amostras com problemas), o morango (63%) e o pepino (58%). Seguidos da alface e da cenoura (53% e 50%). Entre os vegetais mais comuns na mesa do brasileiro, a batata saiu ilesa, com todas as amostras dentro dos padrões estipulados pela agência reguladora.
Uma das formas de diminuir o risco é lavar bens os vegetais e descascá-los antes de comer, alerta Peres.

Retirar a casca ajuda a eliminar grande parte dos resíduos



Dica 1: Grande parte dos
resíduos de agrotóxicos é eliminada quando descascamos
o alimento e/ou o cozinhamos. Assim, o maior cuidado deve
ser com aqueles alimentos que consumimos crus e com casca.
de molho (por pelo menos 30 minutos) em uma solução de bicarbonato de sódio e água
(1 colher de sopa de bicarbonato para 1 litro d’água) é eficaz
para a redução de resíduos
de agrotóxicos em alimentos consumidos in natura e
com casca.
o consumidor ainda é conhecer a origem de seus alimentos. Mas
se isso não for possível, lave com água corrente as partes onde há pequenos buracos (é lá que se acumulam mais resíduos, poeira
e sujeira) e retire as primeiras folhas da alface e do repolho.
Vale ressaltar que as dicas acima não eliminam totalmente o agrotóxico. Se o pesticida foi usado logo no plantio, tende a ficar dentro dos frutos. Mas a lavagem ajuda a diminuir a quantidade presente no organismo, segundo o pesquisador da Fiocruz.
Não precisa deixar de comer
A ressalva não significa que os alimentos da lista devam ser evitados na mesa dos brasileiros, explica Peres.
- Não creio que nenhum alimento deva ser retirado da dieta do brasileiro, uma das mais ricas de que temos notícia. O que precisamos é de uma ‘cadeia de confiança’, em que o consumidor dê preferência a comerciantes que garantam a procedência de seus produtos, os comerciantes possam pressionar seus fornecedores para que atendam às demandas de seus consumidores, os fornecedores possam exigir do produtor rural alimentos mais saudáveis.
Mas, para o toxicologista Sérgio Graff, da Unifesp, não adianta transferir a responsabilidade de fiscalização para o consumidor.
- É excelente esse tipo de trabalho, mas acho que a interpretação do resultado está ruim. O que está sendo divulgado cria pânico.
Para Graff seria mais útil a criação de um selo de qualidade dos alimentos.
- Como consumidor, me interessa saber onde está os 10%, 20%, 30% [dos alimentos] que não estão contaminados. Como se faz isso? Dá um selo de qualidade para aquele que cumpriu a lei. O que não existe.
Para o toxicologista Flavio Zambrone, presidente do Instituto Brasileiro de Toxicologia, também há exagero nos alertas. Em 30 anos de trabalho na toxicologia, o médico diz que “nunca viu nenhum problema sério por causa de resíduo de pesticidas em alimentos”.
- Você tem diversos fornecedores e o que a Anvisa coloca não é uma coisa que você vê em todos eles e em todos os produtos. Outra coisa é que você come uma variedade de substâncias. Não come pimentão no almoço e na janta todos os dias.
Zambrone explica que “quando você estabelece limite de resíduos leva em consideração um fator de segurança de no mínimo cem vezes menor do que a base que se tem no laboratório. Teria quer ter resíduos extremamente altos para ter preocupação com dano imediato à saúde”.
Essa conta é feita a partir da divisão de miligramas por quilo que podem ser consumidas diariamente ao longo da vida. Como essas quantidades são testadas em animais, dilui-se a dosagem em cem vezes menos para considerar o risco no ser humano, geralmente mais sensível às dosagens.
Em e-mail ao R7, a Anvisa afirma que “realiza este estudo há dez anos e divulga todos os resultados porque é uma análise custeada com recursos públicos cujo objetivo é melhorar a qualidade sanitária dos alimentos consumidos pela população brasileira e o aprimoramento das práticas agrícolas que envolvem o empregos dos agrotóxicos”.
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