12 de Fevereiro de 2012

Veja entrevista com especialistas da OMS e da Médico Sem Fronteiras

Após o terremoto que devastou o Haiti, a situação sanitária no país é caótica. Para enfrentar o próximo desafio, de conter riscos sanitários, profissionais de saúde terão de priorizar a retirada de sobreviventes de escombros e providenciar atendimento médico para todo os feridos. A AFP conversou com a médica Brigitte Vasset, da organização Médicos Sem Fronteiras, e com Paul Garwood, da OMS (Organização Mundial da Saúde) para detalhar de que maneira os serviços de emergência deverão atuar no país a partir de agora. Veja a entrevista a seguir:
AFP: Quais são os ferimentos mais frequentes?
Brigitte: A síndrome do esmagamento (crush syndrome, em inglês), politraumatismos e fraturas. O esmagamento é específico de tremores de terra. Trata-se de uma compressão, por escombros, de grandes massas musculares, principalmente os joelhos, o que faz com que, no momento em que o ferido é retirado dos escombros, todas as toxinas acumuladas sejam liberadas no organismo e afetem os rins. Esse problema pode gerar um quadro de insuficiência renal aguda.
AFP: Os corpos são uma ameaça?
Brigitte: Após uma catástrofe natural, os corpos não transmitem doenças. Não é a catástrofe que vai gerar epidemias, mas sim a concentração de pessoas, particularmente em um país onde o sistema de saúde é fraco.
AFP: A questão da água é essencial?
Garwood: Os especialistas são unânimes, a água potável é uma prioridade. Antes do terremoto, apenas um haitiano em dois tinha acesso à água potável, e 19% da população tinham acesso ao saneamento básico adequado.
Brigitte: É preciso encontrar soluções urgentes, como cisternas e distribuição com caminhões pipa, antes de reconstruir.
AFP: Quais são as doenças mais perigosas?
Garwood: Em primeiro lugar, as doenças transmitidas pela água suja, sobretudo a diarreia. Também a malária, cólera, tuberculose e outras infecções respiratórias severas que já estavam presentes no país antes do terremoto.
Brigitte: Se as crianças forem vacinadas contra a rubéola, não há risco de epidemia.
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