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publicado em 28/10/2009 às 06h00:

Médicos ajudam pacientes terminais a prolongar a vida

Especialidade médica, que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes
à beira da morte, é abordada na novela Viver a Vida

Camila Neumam, do R7

As médicas Ellen e Ariane, vividas pelas atrizes Danielle Suzuki e Christine Fernandes (foto) na novela Viver a Vida, da TV Globo, são paliativistas. A especialidade conhecida como Medicina Paliativa visa, sobretudo, prolongar a vida de doentes terminais ao máximo.

Os meios podem ser muitos, da medicação específica ao conforto de uma conversa e amparo psicológico do paciente e de sua família em casa ou no hospital.

Mais conhecido como cuidados paliativos, a especialidade ainda não é reconhecida no Brasil pela tríade formada pelo Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Comissão Nacional de Residência Médica. Mas recentemente o novo Código de Ética Médica do país incluiu pela primeira vez os cuidados paliativos como um de seus 25 princípios fundamentais.

 Segundo Maria Goretti Maciel, médica paliativista do Hospital Samaritano de São Paulo, que inaugurou recentemente um programa de medicina paliativa, a especialidade "tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos pacientes e familiares diante de uma doença que ameaça a vida e que pode levar a pessoa à morte".
 
- O médico paliativista deve acompanhar todo o curso da doença e continuar assistindo a família durante este período. É uma abordagem integral para o doente.
 
Para isso, o Programa de Cuidados Paliativos, lançado há 15 dias no hospital Samaritano, em São Paulo, formou uma equipe de médicos, enfermeiros, assistente social e psicólogos que atendem internos do hospital. Suas ações, somadas ao tratamento, podem ser solicitadas pelo médico e pela família do próprio paciente. O objetivo da equipe, segundo a médica, é cuidar dos sintomas que podem ser de natureza social, emocional e até espiritual, além da doença em si.
 
 - O foco da medicina paliativa é o paciente com poucas chances de cura, geralmente idosos com falência cardíaca, pulmonar, de fígado, do rim em estado avançado.
 
Alguns desses diagnósticos, em especial, causam sintomas muito desagradáveis, como falta de ar, náusea, fadiga e insônia. Dessa forma, os médicos paliativistas agem para diminuir esses sintomas, dando medicamentos específicos e conforto emocional.

- Sabemos que quando eles recebem o diagnóstico, mudam suas vidas e a de sua família, por isso fazemos tudo com o intuito de dar conforto ao paciente.

 
Tratamento humanizado
 
Diferente da roleta-russa dos hospitais, cujos médicos devem atender o máximo possível de pacientes, o profissional paliativista procura humanizar o tratamento, mostrando-se mais atento e sensível a procurar soluções para as dificuldades dos pacientes terminais.
 

- Por exemplo, em determinado momento da vida, o paciente terminal pode não conseguir engolir o medicamento. Ficamos atentos a isso e achamos uma maneira mais confortável de administrar esse medicamento na forma subcutânea (acima do músculo), porque é menos dolorosa. Se o paciente não consegue engolir alimentos sólidos, a nutricionista da equipe tenta adaptar sua alimentação. Se ele começa a perder sua mobilidade, o fisioterapeuta tenta achar uma maneira de ele viver bem, da forma mais confortável possível. 

De acordo com a médica, os pacientes com câncer ainda são os mais atendidos pelos paliativistas por causa do número dos sintomas e de sua rápida evolução. Mas o contato estreito com a ideia de morte não deve ser confundido com a ideia de eutanásia, segundo a médica.

- Somos totalmente contra a eutanásia. O cuidade paliativo não quer controlar a morte, ele se preocupa com a morte. É totalmente diferente. 

Medicina paliativa no Brasil e no mundo

Hoje no Brasil não existe uma educação formal de medicina paliativa, mas existem grupos dentro de instituições médicas como o Hospital Estadual do Servidor e do hospital da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ambos em São Paulo, além do Inca (Instituto Nacional do Câncer), no Rio de Janeiro, entre outras, onde é possível estudar o assunto, segundo a médica.

Maria Goretti afirma que na Europa a especialidade é reconhecida e ainda é possível fazer um ano de residência opcional da especialidade.

- Infelizmente para ser especialista no assunto ainda é preciso estudar fora. Hoje não há uma residência no Brasil.

 Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), alguns dos nove princípios fundamentais dos cuidados paliativos são aliviar a dor e outros sintomas que geram sofrimento; afirmar a vida e perceber a morte como um processo normal;  não acelerar nem retardar a morte e integrar os aspectos psicológicos e espirituais na assistência ao paciente.
  
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