O anúncio do Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (21), sobre as novas regras para o transplante de órgãos no país foi muito bem-vindo entre os médicos, principalmente entre aqueles que trabalham diretamente na área.
Para Willian Nahas, chefe do departamento de transplante de rim do Hospital das Clínicas de São Paulo, “isso vai ajudar, e muito, as condições de transplante no Brasil, principalmente entre as crianças”.
A partir de agora, crianças menores de 18 anos passam a ter prioridade na fila de espera e não precisam mais estar em condições graves para fazer o transplante:
- Um privilégio muito importante para elas. É muito difícil manter uma criança fazendo hemodiálise. É um processo desgastante e elas sofrem muito até conseguirem um transplante.
Com a mudança nas leis e o uso de drogas cada vez mais potentes, Nahas acredita que esses pacientes poderão ter uma evolução e um desenvolvimento normais. Pois, quanto mais tarde eles se submetem ao transplante, maiores as chances de terem seqüelas paro o resto da vida.
Outra vantagem citada por Nahas é que com a normatização entre doadores não relacionados, isto é, de não parentes, o doador receberá maior atenção por parte dos médicos. Além da autorização judicial, nessas situações, o caso deverá passar por uma avaliação multidisciplinar no próprio hospital.
- Esse acompanhamento social e psicológico do doador vai impedir que a pessoa aja por impulso ou sob coação, por exemplo. É uma proteção para aquele sujeito que pretende fazer um ato de amor.
José Henrique Andrade Vita, clínico da equipe de transplante da Beneficência Portuguesa, concorda com seu colega. E vai mais longe:
- As mudanças são ótimas, mas acredito que seja importante também um maior investimento em hospitais e UTIs para que doadores e transplantados tenham melhores condições de atendimento.
No seu anúncio, o ministro da Saúde José Gomes Temporão afirmou que o governo vai destinar R$ 24 milhões para agilizar o processo de transplante de órgãos no país, além de aumentar o valor pago às equipes envolvidas nos procedimentos de captação de órgãos.