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27 de Maio de 2012

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publicado em 15/01/2010 às 12h32:

Terremoto destrói oito hospitais no Haiti
e postos de saúde estão sobrecarregados

Ao menos 13 países enviaram equipes de resgate, mas situação beira o caos, diz OMS

Lucas Frasão, do R7

O Haiti teve pelo menos oito hospitais destruídos ou danificados após o terremoto que atingiu o país nesta terça-feira (12) e, como as instalações de saúde que restaram estão sobrecarregadas, as pessoas são atendidas nas ruas ou em áreas improvisadas. Na República Dominicana, país vizinho, dois hospitais foram danificados, em Barahona e Santiago, mas ainda funcionam. As informações estão no boletim divulgado nesta quinta-feira (14) pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

De acordo com a entidade, a recuperação do sistema de saúde do Haiti deve ser prioritária e imediata. Mas ainda há muita dificuldade em medir o tamanho da ajuda médica de que o país necessita agora. Isso ocorre porque a comunicação com as equipes de socorro ainda é difícil. 

A Cruz Vermelha estima em cerca de 3 milhões o número de feridos e desabrigados precisando de auxílio em todo o país. Segundo a instituição, cerca de 50 mil pessoas morreram após o terremoto. A ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que cerca de 300 mil pessoas estejam desabrigadas somente na capital, Porto Príncipe. 

Profissionais de saúde trabalham em meio a um cenário que beira o caos. Há relatos de que cadáveres estão sendo colocados sobre folhas nas ruas e falta espaço em galpões na República Dominicana para o armazenamento de comida e remédio doados de várias partes do mundo. As prioridades ainda são a busca e salvamento de sobreviventes presos sob escombros, o tratamento de pessoas com ferimentos graves, a prevenção contra a infecção de feridas e o fornecimento de água potável e saneamento básico. Médicos também tentam controlar o contágio por doenças transmissíveis, como diarreias e infecções respiratórias. 

Em entrevista gravada em Genebra, Suíça, e publicada no YouTube, o diretor adjunto para o Grupo de Ações de Saúde em Situações de Crise da OMS, Eric Laroche, explica que deve ser redobrada a atenção com a saúde dos haitianos neste momento. De acordo com ele, a população do país é mais vulnerável a enfermidades por ter altas taxas de casos confirmados de Aids e por seu histórico de conflito interno. Além disso, o país ainda enfrenta os reflexos de ciclones e inundações que ocorreram no passado. 

Para Laroche, as autoridades da saúde que trabalham no socorro às vítimas podem enfrentar uma situação caótica se não estiverem preparadas para "o pior". 

- Prevenir o caos é [a medida] mais necessária. Vamos conseguir isso se todos enviarem equipamentos e remédios. 

A OMS teve seu escritório no Haiti danificado e, provisoriamente, usa o armazém do ministério da Saúde do país para guardar medicamentos. Além disso, a instituição tenta estabelecer um centro de atendimento na cidade de Jimaní, na República Dominicana, que poderá ser alcançado em uma viagem de 90 minutos pela estrada que leva até Porto Príncipe e não foi destruída. 

Pelo menos 13 países das Américas confirmaram o envio de equipes de resgate ao Haiti, de acordo com a OMS. A entidade liberou mais de US$ 200 mil (R$ 352,8 mil) de seu seu fundo de emergência para desastres para investir em atividades prioritárias. A OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), escritório regional da OMS para as Américas, deverá divulgar ainda nesta sexta-feira (15) um balanço geral sobre a situação da saúde e os esforços de resgate e atendimento médico no Haiti. 

Brasil
 

Desde quarta-feira (13), a FAB (Força Aérea Brasileira) já enviou duas aeronaves ao Haiti. A primeira partiu transportando 13 toneladas de suprimentos. Um KC-137 também partiu da Base Aérea de Brasília transportando mais 17 toneladas de remédios, água e equipamentos médicos.

O Ministério da Saúde começou na noite desta quinta-feira (14) o embarque de 20 kits de medicamentos e insumos para a assistência farmacêutica no país. O material é suficiente para atender 10 mil pessoas por um período de três meses. Entre os remédios doados, há anti-inflamatórios, antibióticos, anti-hipertensivos, diuréticos, analgésicos, além de seringas, luvas e esparadrapos.

Um hospital de campanha com mil metros quadrados e 40 profissionais de saúde, erguido pela Aeronáutica, também está na lista de ações de ajuda do governo brasileiro ao Haiti. Os pacientes mais graves que chegarem ao hospital poderão ser encaminhados para quatro hospitais da República Dominicana localizados próximos à fronteira. Em caso de necessidade, a Marinha do Brasil também poderá enviar seu hospital de campanha ao Haiti.

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