A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou nesta segunda-feira (18) que, embora pareça que a pandemia de gripe A está em declive e o pior já passou, não se deve tirar conclusões sobre sua evolução definitiva antes de abril, quando a temporada normal de gripe costuma terminar.
Em sua primeira apresentação pública do ano, a diretora geral da OMS, Margaret Chan, defendeu a atuação de sua instituição para controlar a propagação do vírus H1N1, no momento em que o Conselho da Europa se prepara para investigar se houve influência indevida das indústrias farmacêuticas nesta questão.
O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, médico epidemiologista alemão, acusou o organismo sanitário de "expor milhões de pessoas saudáveis aos efeitos secundários de vacinas que foram testadas de maneira insuficiente". Também disse que isto gerou prejuízos aos orçamentos dos países e à credibilidade das agências de saúde.
Nos próximos meses, a OMS tentará revisar o Regulamento Sanitário Internacional relacionado com a declaração de pandemias para determinar a necessidade de modificações. Pela norma, a condição principal para declarar uma pandemia é a sua propagação geográfica, mais que a gravidade da doença. Na abertura do Conselho Executivo da OMS - órgão composto por 34 dos 193 países que fazem parte do organismo -, Margaret Chan disse que apesar da pandemia ter perdido força, "não podemos prever o que ocorrerá entre agora e dentro de alguns meses, quando o hemisfério sul entra na temporada de gripe e o vírus será mais transmissível". Margaret reconheceu que a pandemia foi moderada, o que considerou como "a melhor notícia da última década em termos sanitários", e que o mundo pode considerar-se "afortunado" por isso.
Outro fator positivo foi que o vírus não sofreu mudanças agressivas. Além disso, a resistência ao antiviral utilizado para tratar a gripe foi limitada. Margaret defendeu a atuação dos governos e seu enfoque preventivo, o que levou, no caso dos países ricos, a uma compra de reservas de vacinas que não puderam ser usadas por causa da baixa resposta das populações às campanhas de imunização. Vários países nessa situação tentam renegociar seus contratos com os laboratórios, devolvendo parte das reservas ou vendendo as vacinas para outros países.
Para Margaret, as populações ainda precisam ser conscientizadas sobre o tratamento preventivo da gripe A.
- O fato de as populações não terem procurado se vacinar reflete que temos um grande desafio em matéria de comunicação, como convencer o povo a adotar comportamentos saudáveis.
Margaret insistiu que não haverá estimativas confiáveis sobre a taxa de mortalidade da gripe A antes de um ou dois anos. Em apresentação diante do Conselho Executivo, o responsável da OMS na luta contra a pandemia, Keiji Fukuda, confirmou a tendência a uma redução das infecções pelo novo vírus em grande parte do mundo e disse que a maioria dos casos não apresenta complicações. Segundo Fukuda, 25% das pessoas que morreram pelo novo vírus sofriam de infecções secundárias. Na avaliação do especialista, tudo aponta que o vírus H1N1 substituirá o da gripe tradicional.
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