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publicado em 04/09/2010 às 14h37:

Poluição e variação de temperatura
afetam o aparelho circulatório de idosos

Os mais velhos sofrem mais do que as crianças com as más condições do ar

Do R7

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A poluição da cidade de São Paulo, além de sua forte variação de temperatura durante o inverno, afeta principalmente crianças e idosos, que podem sofrer com doenças respiratórias. Mas uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) revelou que as más condições do ambiente provocam também problemas no aparelho circulatório dos mais velhos. As informações são da Agência USP.

Os pesquisadores estavam estudando o organismo de crianças menores de cinco anos e de idosos para descobrir como eles reagem à poluição atmosférica. O resultado mostrou que, diferente das crianças, os idosos sofrem problemas na circulação sanguínea. Por isso, eles acabam sofrendo mais com o tempo do que os pequenos.

A geógrafa Edelci Nunes da Silva, autora do estudo, avaliou 14 bairros da zona Sul da capital, onde existem duas estações meteorológicas. Para realizar a pesquisa, ela fez uma associação entre dados de internação e variáveis climáticas como temperatura, umidade relativa do ar, amplitude térmica e índice de conforto. Assim, foi possível separar os distritos por perfis socioambientais, que mostraram que a poluição atmosférica não era sempre o principal fator de aumento do risco de internações em cada local.

- A temperatura e a amplitude térmica também são fortes fatores de influência.

Edelci analisou 12.269 casos de internação por doenças respiratórias em crianças. Nos idosos, observou 24.318 internações por doenças do sistema circulatório e 8.894 do aparelho respiratório. Foi constatado, de forma geral, que tanto as doenças circulatórias nos idosos quanto as doenças respiratórias em ambas as idades apresentam maior risco de provocar internações quando as pessoas se sentem desconfortáveis com baixas temperaturas e com alta amplitude térmica — e não apenas com a poluição do ar.

Contudo, Edelci diz que não é só o clima que torna grande e iminente o risco de internações.

- As más condições de urbanização da cidade agravam as condições de desconforto térmico e aguçam os efeitos das temperaturas e amplitude térmica.

Soluções

Sobre as medidas que devem ser tomadas, a pesquisadora diz que é necessário intervir no espaço, para que as condições de vida melhorem e as pessoas fiquem mais protegidas contra as situações climáticas extremas.

- A intervenção pode ser tomada em dois níveis: o primeiro seria um planejamento urbano com a implementação de fatores controladores do clima como arborização, praças, arruamentos, políticas para diminuição das emissões de poluente. E o segundo seria em casa, na melhoria nas condições construtivas para proteção dos moradores.

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