AbrCrianças de até cinco anos representaram 39% das
internações por gripe suína no SUS no ano passado
27 de Maio de 2012

Pessoas até cinco anos de idade representam a maior parte das internações
Isso ocorre porque, apesar de não ser o grupo que mais morre por causa da doença, as crianças são as que mais ficam internadas. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) indicam que, no ano passado, 39% das internações foram de menores de cinco anos. Isso coloca essa parcela da população à frente das pessoas de cinco a 19 anos (13%), 20 a 59 anos (23%) e mais de 60 anos (24%).
Essas crianças poderão se vacinar a partir desta segunda-feira (24). O prazo vai até o dia 2 de junho. Pessoas de outras faixas etárias que ainda não se vacinaram até esta sexta-feira (21), data oficial do fim da campanha, também poderão tomar a dose durante esse período.
A infectologista Nancy Bellei, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que as crianças têm um “papel social” muito importante, já que transmitem mais a doença e são mais resistentes a medidas de prevenção, como lavar as mãos ou evitar contato direto com pessoas doentes.
– Pela estrutura do sistema imunológico, as crianças sofrem uma maior replicação viral. Como elas ainda não passaram por muitas infecções por Influenza, ainda estão aprendendo a reagir ao vírus. E é muito difícil adotar qualquer medida de higiene, já que elas têm mais contato entre si e saem tossindo, espirrando, melecando todo mundo.
Inicialmente, as crianças de dois a quatro anos não faziam parte da população com direito a receber a vacina grátis em razão de não estarem entre os que apresentavam casos mais graves ou mortes por causa da gripe. No entanto, vacinar os pequenos dessa idade já era uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O Ministério da Saúde diz que resolveu mudar a estratégia por ter um estoque estratégico de 10,8 milhões de doses, que foram “reservadas para eventualidades durante a campanha”. Ao todo, há 9,6 milhões de crianças brasileiras nessa faixa etária.
Um detalhe importante é que, assim como aconteceu com as crianças de seis meses a dois anos, a dose será dividida em duas. Por isso, 21 dias depois da primeira aplicação, as crianças precisam ser levadas de novo aos postos para tomar a segunda parte da vacina.
Ricardo Martins, professor da Faculdade de Medicina da UnB (Universidade de Brasília) e membro do serviço de pneumatologia do Hospital Universitário de Brasília, diz que o aumento no número de pessoas vacinadas é positiva.
– Sem dúvida, quanto mais frações da população imunizadas, mais seguro vai ser o nosso inverno, porque são menos pessoas pra contrair a doença e transmiti-la. Além de proteger individualmente as pessoas, é importante também cortar a cadeia de transmissão, e isso se faz ampliando o leque de pessoas imunizadas.
Apesar disso, ainda há grupos em que o nível de vacinação é preocupante. É o caso das gestantes, que atingiram apenas 68% da meta de vacinação, adultos de 20 a 29 anos (77%) e de 30 a 39 anos (37%). Para o governo, o maior desafio da campanha de vacinação é imunizar os adultos entre 20 e 29 anos, que, por se sentirem saudáveis e não terem muito o hábito de irem a postos de saúde, resistem mais.
Apesar disso, essa deve ser a última prorrogação no prazo da vacinação, de acordo com Helena Sato, coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo.
– Essa é a última etapa. O inverno já está aí e a ideia é não entrar nessa estação vacinando ninguém.
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