Saúde

26/12/2012 às 08h48 (Atualizado em 26/12/2012 às 08h48)

Vídeo de pacientes no YouTube faz doação de medula crescer 180%

Agência Estado

“O que não te mata, faz você mais forte!”. A mensagem entoada no refrão da música Stronger, da cantora americana Kelly Clarkson, serviu de pano de fundo para um vídeo que tem como objetivo incentivar a doação de medula óssea no Brasil. O material, de 3m42s de duração, tem como personagens pacientes em tratamento de câncer (especialmente linfomas e leucemias) no Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba. Participam também voluntários, familiares, funcionários e médicos da unidade. O vídeo foi ao ar no YouTube no dia 15 de outubro e já foi visto por quase 540 mil pessoas, o que fez o objetivo ser atingido rapidamente - o número de doadores de medula no hospital cresceu 180%: passou de cerca de 180 por mês para mais de 500. “A repercussão foi muito grande e muito maior do que podíamos imaginar”, diz o médico Paulo Tadeu Rodrigues de Almeida, coordenador do Hemobanco de Curitiba e do Instituto Pasquini, responsável pelos transplantes que são feitos no hospital. A ideia de fazer o vídeo surgiu dos irmãos Hermes Lima Ribeiro, voluntário no processo do transporte da medula óssea, e Lisando Lima Ribeiro, hematologista pediátrico do hospital. Em julho, Hermes estava em Nova York para buscar uma medula para uma paciente. Por lá, a música Stronger era o hit mais tocado nas rádios. Hermes ficou com a música na cabeça. Resolveu pesquisar e se surpreendeu ao ver que os dois primeiros vídeos eram o clip da cantora e um feito por pacientes com câncer do Seattle Childrens Hospital, nos EUA. “Eu não tinha ideia de que a música tinha inspirado um vídeo dentro de um hospital de câncer. Mostrei para o meu irmão e ele topou fazermos um vídeo igual.” A ideia foi bem recebida. Crianças e adultos decoraram a letra. A gravação das imagens foi feita por voluntários durante três dias em semanas distintas - a intenção era conseguir reunir o máximo possível de pacientes. “O estado de saúde dos pacientes oscila muito e todos queriam participar. A produção passou a fazer parte da vida deles”, diz Hermes. Kauanny Falavinha Sutil, de 12 anos, é uma das pacientes que participou - ela é a menina que abre e encerra o vídeo, escrevendo a mensagem “Doe Medula Óssea” em uma cartolina. Kauanny tem um tipo severo de leucemia, precisou com urgência de um transplante, mas não encontrou doador no País. Conseguiu uma bolsa de sangue de cordão umbilical compatível nos EUA, fez o transplante, mas a medula “não pegou”. Se não arrumasse outro doador, poderia morrer. Sem alternativa, sua mãe doou a medula e ela passou por um tipo de procedimento ainda muito novo, chamado haploidêntico, em que só há 50% de compatibilidade entre paciente e doador. Deu certo. Para Kauanny, a importância de incentivar a doação de medula óssea é aumentar a chance de conseguir um doador compatível - as chances são 1 em cada 100 mil doadores. “Adorei participar do vídeo, só fiquei um pouco nervosa e envergonhada.” Mãe de uma menina de 5 anos, Angelita Pereira Alves, de 35 anos (a moça carequinha que aparece vestindo pijama), também tem leucemia e topou participar. Ela passou por ciclos de quimioterapia, fez a doença regredir e, por enquanto, não precisará do transplante. “A causa é muito maior. Não conhecia a música, precisei improvisar. Fiquei empolgada, dei até uma dançadinha para descontrair. Amei.”

Fernanda Bassette

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