Aplicativo mapeia focos de sete doenças transmitidas por mosquitos

Objetivo é ajudar a diminuir a incidência dessas doenças, como a dengue

O aplicativo ajudaria a diminuir a incidência de doenças como chikungunya e dengue, transmitidas pelo Aedes
O aplicativo ajudaria a diminuir a incidência de doenças como chikungunya e dengue, transmitidas pelo Aedes Thinkstock

O pesquisador do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da USP (Universidade de São Paulo) Helder Nakaya criou um aplicativo para mapear focos, também chamados de hotspots, da dengue, malária, zika, entre outras. O objetivo é localizar os casos sintomáticos, auxiliar agentes de saúde e ajudar a diminuir a incidência e a transmissão dessas doenças.

O aplicativo funcionará da seguinte maneira: pacientes sintomáticos, diagnosticados em hospitais de referência com Zika, dengue, tuberculose, leishmaniose, chikungunya, parvovírus e malária, vão disponibilizar voluntariamente o histórico de localização de seus smartphones. Com isso, será possível rastrear onde eles estiveram nos últimos 15 dias. E, a partir desses dados, o pesquisador vai listar e correlacionar os pontos em comum visitados por esses pacientes para identificar os hotspots ou focos.

A ideia é que, com base nessas informações, o pesquisador desenvolva um aplicativo que mostre os focos espalhados pelas cidades que participarão do projeto-piloto. Agentes públicos de saúde irão até esses locais para coletar amostras de sangue e identificar os casos assintomáticos. Isso ajudará a estabelecer medidas para conter a transmissão mais rapidamente.

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Segundo Nakaya, que é um dos pesquisadores principais do CRID (Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórios), um dos CEPIDs (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) da FAPESP, o GPS dos celulares tem um nível de precisão bem alto, próximo do raio de um metro, que garante a qualidade do projeto.

— O diferencial desse trabalho para os aplicativos que já existem, no qual a população manda fotos e registra os locais dos criadouros de mosquito, é a exatidão dos dados. Estamos fazendo muitos testes para que as informações sejam as mais precisas possíveis.

Ele garante não haver riscos quanto à privacidade: o arquivo que coleta o histórico de localização guarda apenas as coordenadas e não recolhe outros dados como contatos e fotos.

— Esse é um dos desafios do nosso projeto. As pessoas ficam desconfiadas quando pedimos o histórico no GPS. Estamos tendo todo o cuidado para não termos acesso a e-mail, foto e nome da pessoa.

Os municípios contemplados para receber o mapeamento inicial de focos e testar o aplicativo são: São Paulo, Recife, Manaus, Goiânia, João Pessoa, Belém, Campinas, Salvador, Aracaju, São João Del Rey, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, São José do Rio Preto e Porto Velho.

A iniciativa voltada para mapear hotspots de transmissão de malária em Manaus, especificamente, foi financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates. Nakaya foi selecionado pelo programa internacional GCE (Grand Challenges Explorations), que oferece US$ 100 mil para apoiar ideias inovadoras na área de saúde e desenvolvimento. Se o projeto for bem-sucedido, o pesquisador pode pleitear mais R$ 1 milhão para avançar e expandir ainda mais o alcance do aplicativo.

No momento, o projeto está na fase de testes. Através do site Sipos, o pesquisador paulista criou um plano-piloto para testar o uso das informações do GPS. Ele está recrutando, pela plataforma, pessoas da área de pesquisa em saúde, além de alunos e enfermeiros. O principal propósito é já entrar em contato com os pacientes para explicar as próximas etapas e reforçar o sigilo dos dados.

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