Conheça o estudante brasileiro de 21 anos que já bateu a Nasa em audiência no YouTube

O divulgador científico Cristian Westphal leva ciência para as redes sociais dos brasileiros

Cristian em sua palestra no TEDxSão Paulo de 2015
Cristian em sua palestra no TEDxSão Paulo de 2015 Reprodução/Facebook/Ciência e Astronomia

O estudante Cristian Westphal ganhou interesse pela comunicação científica após assistir ao seriado Cosmos, apresentado por Carl Sagan. Curioso, com apenas 13 anos, ele decidiu criar seu primeiro blog para falar de ciência e compartilhar informações que ele achava interessantes. Seis anos depois, o estudante de engenharia química do Centro Universitário La Salle, de Canoas (RS), é um dos criadores do site Ciência e Astronomia, promove encontros em escolas, parques e até virtuais, com direito a transmissão com imagens do seu telescópio.

Além do site, o projeto tem ainda perfis em redes sociais e um canal de vídeos no YouTube. O  Ciência e Astronomia tem feito sucesso com os internautas brasileiros. No Facebook, são mais de 410 mil curtidas. Apenas como comparativo, a página oficial do Ministério de Ciência e Tecnologia do País tem cerca de 200 mil curtidas na mesma rede social.

Este é o tatuador dos sonhos de qualquer fã de cultura geek e japonesa

Entenda o sucesso do game de realidade aumentada Pokémon Go

No YouTube, o canal superou a marca de 82 mil inscritos e já realizou outros feitos expressivos. O principal deles pode ser considerado tão surpreendente quanto o fenômeno astronômico da Super Lua. A transmissão comentada da Lua gigante pelo Ciência e Astronomia teve mais expectadores do que o streaming do mesmo evento realizado pela agência espacial norte-americana Nasa.

Confira os principais trechos da entrevista com o estudante e divulgador Cristian Wesphal.

R7 – Qual a importância das redes sociais para o seu projeto de divulgação da ciência?

Cristian Wesphal – O projeto Ciência e Astronomia já existe há sete anos e o objetivo central é divulgar conteúdos relacionados à ciência, de uma maneira didática e acessível para todos os públicos, fazendo com que o leitor ou espectador se questione mais sobre os acontecimentos que ocorrem ao nosso redor.

As redes sociais estão no ápice de acessos entre a população. E são nesses meios que se devem focar a divulgação para que as pessoas tenham um acesso ao conhecimento, seja no Facebook, Youtube, Twitter, etc. A partir destes meios de comunicação, se consegue semear a ciência para aqueles que a procuram e aqueles que a querem conhecer.

R7 – Em uma palestra, você comenta o quanto Cosmos te influenciou. Acha que precisamos de mais “heróis científicos”? Qual é a diferença desse contato nas redes sociais?

Wesphal – Carl Sagan para mim é uma fonte de inspiração, referente a todo o trabalho que ele fez em prol da divulgação científica. Creio que todos nós temos uma personalidade que nos inspira ou que nos faz admirar pelo seu trabalho, não somente na astronomia, mas qualquer área do conhecimento. E essas pessoas nos ajudam a aperfeiçoar o trabalho, no meu caso na divulgação da ciência.

Nas redes sociais, as pessoas não se expõem tanto como no YouTube ou como na televisão. Entretanto, nas redes sociais, a informação deve ser simplificada, para que possamos direcionar a pessoa ao texto mais técnico.

Página Ciência e Astronimia tem mais de 400 mil curtidas
Página Ciência e Astronimia tem mais de 400 mil curtidas Reprodução/Facebook/Ciência e Astronomia

R7 – Como a divulgação nas redes sociais é diferente do trabalho que você faz no site, por exemplo?

Wesphal – São dois métodos de divulgação diferentes. No Facebook, pelo menos no Ciência e Astronomia, nosso objetivo é chamar a atenção das pessoas com um breve resumo da notícia e redirecionar elas para o nosso site, com uma abordagem mais técnica, a ponto de ser entendida.

R7 – Como é feita a curadoria do conteúdo que você divulga? Existe algum filtro contra pseudociência, por exemplo?

Wesphal – Pseudociência é uma "área" proibida em nossos canais de veiculação. Temos uma curadoria de pessoas da área que mandam os links diretos das fontes da informação, evitando assim a pseudociência ou o sensacionalismo de alguma informação. Então, a equipe escreve a notícia da forma mais coesa possível.

R7 – Qual é a resposta que você tem nas redes sociais desse seu trabalho?

Wesphal – Basicamente, eu recebo todos os dias mensagens de pessoas de todo o Brasil agradecendo o trabalho da divulgação de forma didática e o impacto que as notícias causam nas pessoas, no sentido de instigá-las mais A buscarem conhecimento.

Canal faz transmissões ao vivo todos os sábados, às 20h
Canal faz transmissões ao vivo todos os sábados, às 20h Reprodução/Facebook/Ciência e Astronomia

Já recebi notícias de pessoas entrando na faculdade de astronomia por conta do projeto, por estar fazendo uma olimpíada de astronomia por conta do projeto, por ter começado um grupo de astronomia, levado seu telescópio para uma praça pública por conta das nossas dicas, etc.

R7 – O Ciência e Astronomia faz transmissões ao vivo e aposta bastante no formato de vídeo. Quais são os resultados desse trabalho e o que você diria que é o maior desafio?

Wesphal – O carro chefe do projeto atualmente são as transmissões ao vivo nos sábados às 20h e as transmissões de eventos astronômicos. Os vídeos são uma maneira de levar o conhecimento de maneira rápida e com uma dinâmica ilustrativa, com muitas imagens, algo que no site e nas redes sociais não se conseguiria fazer de uma maneira instigante.

Vídeos rápidos são os principais atrativos ao público, já que criamos um roteiro que passe todas as informações em um tempo curto, a ponto dos vídeos não ficarem cansativos.

R7 – Pode comentar como é esse acompanhamento em tempo real do seu trabalho, das suas viagens e também do site?

Wesphal – É um pouco complicado gerenciar tudo ao mesmo tempo, já que por fora se tem a faculdade, a família, a vida social (risos). Atualmente, o Ciência e Astronomia é formado por cinco pessoas. Trabalhamos em conjunto para que as redes sociais e o site estejam sempre atualizados.

Sobre as viagens, basicamente são para eventos, congressos, palestras. E a penúltima foi para o Chile, para representar o Brasil na ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile.

R7 – Existe algum tipo de conteúdo ou assunto que você sabe que gera mais engajamento?

Wesphal – O público é muito interessado em temas que os filmes de ficção científica abordam. Buracos negros, vida em outros planetas, viagens no tempo e viagens espaciais são bastante comentados e há sempre pedidos para serem postados.

Assista ao vídeo da palestra de Cristian no TEDxSão Paulo, realizada em 2015: