Gabriel Bá: focar nas ferramentas não resolve, o que importa é contar uma boa história

Quadrinista premiado conta como usa a tecnologia para produzir suas obras

Daytripper, uma das HQs mais famosas da dupla Fábio Moon e Gabriel Bá
Daytripper, uma das HQs mais famosas da dupla Fábio Moon e Gabriel Bá Reprodução/Flickr/10paezinhos

A tecnologia facilitou o acesso a uma série de recursos para profissionais que trabalham com artes visuais. Entretanto, antes de pensar em um novo equipamento, é importante que os artistas pensem na influência positiva que a tecnologia pode ter em suas obras.

Presente no festival de animação Anima Mundi 2016, o desenhista Gabriel Bá acredita que o sucesso em formatos visuais – como as histórias em quadrinhos – deve estar ligado, principalmente, com a criatividade de contar boas histórias.

— Toda ferramenta vai depender do artista para se adaptar com ela e saber tirar o melhor proveito dela. Tem gente que pergunta qual caneta eu uso. Se eu falar que uso tal caneta e eles forem lá e comprarem a mesma caneta, não é só isso que resolve. Tem toda a intuição, toda a alma do negócio e prática, muita prática.

Ao lado do irmão gêmeo, Fábio Moon, Bá venceu pela quinta vez o Eisner, conhecido como o “Oscar dos quadrinhos”. Os gêmeos venceram na categoria de melhor adaptação de obra para outro meio com Dois Irmãos, que transporta os Milton Hatoum para o formato de quadrinho. A obra ainda concorre ao Prêmio Jabuti nas categorias Adaptação e Ilustração, os vencedores serão anunciados na sexta-feira (11). Antes, os irmãos já haviam sido premiados com as HQs Daytripper e Umbrella Academy, dentre outras.

Para agilizar seu trabalho, Bá contou à reportagem do R7 que incorporou o computador e tablets para facilitar diferentes fases do trabalho.

— O meu trabalho poderia ser feito só no papel. Faço isso há 20 anos. Em alguma etapa do meu trabalho passei incorporar o computador porque ajuda ou fica mais rápido ou, em alguns casos, dá uma qualidade melhor do que fazer à mão.

Tecnologia pode ajudar na produção, mas não substitui o processo criativo
Tecnologia pode ajudar na produção, mas não substitui o processo criativo Divulgação

Começar pequeno

Bá explica que é importante praticar histórias menores, antes de se aventurar em uma saga de 200 páginas. Para o quadrinista é normal quere começar por obras mais longas, já que são elas que inspiram boa parte dos leitores a se tornarem desenhistas e roteiristas.

A dica para quem está começando é fazer histórias curtas e ter uma experiência completa de produção – especialmente – para chegar até o fim.

— Demora anos para você fazer isso [sagas longas]. Se você quer contar uma história que é uma saga enorme e chega na página 20 e já está cansado, aquela história morre ali e você fica com essa frustração. Isso é o que separa quem lê uma história de 200 páginas em uma hora e quem demorou 3 anos para fazer.

Durante uma apresentação para profissionais interessados na área, o quadrinista contou que usa uma mesa digitalizadora Cintiq da Wacom, mas ainda precisa incorporar melhor o potencial tecnológico no seu trabalho.

Bá ainda mostrou parte do seu processo criativo e comentou que os artistas precisam se preocupar em contar boas histórias e fazer com que os leitores mergulhem nas histórias. Por isso, conta que ele e seu irmão usam balões inseridos no computador, para não distrair os leitores, por exemplo.

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