Pessoas sedentárias e com sobrepeso que passaram uma semana a 2.600 m de altitude perderam peso comendo o que queriam e sem fazer exercícios. Um mês depois que eles voltaram, perderam dois terços de seus quilos. Os resultados estão na edição da revista Obesidade, lançada nesta quinta-feira (4).
O anestesista do Hospital Geral de Massachusetts, Kay Leissner, que estuda a influência da altitude sobre o corpo humano, mas que não participou do evento, comemorou os resultados em entrevista à revista Wired.
- O que é interessante nessa pesquisa é que ela demonstra que existe um efeito duradouro na ingestão de calorias e que as pessoas comem menos mesmo um mês depois depois de voltar de um lugar que fica em altitude elevada.
Desde um estudo de 1957 os cientistas sabem que os animais perdem peso em altitudes elevadas. Montanhistas perderam peso durante expedições a 3.600 metros ou mais – a escalada teve um papel importante nessa perda de peso.
Mas esses obesos estão mais propensos a sofrer de uma grave doença da altitude, em que a baixa pressão de oxigênio causa tontura, náusea e outros problemas sérios, como edemas ou ataques cardíacos, explicou Leissner.
Por isso, uma equipe da Universidade Ludwig-Maximilian, na Alemanha, queria saber se os quilos desapareciam depois de uma estadia segura e sedentária em baixas altitudes.
Os cientistas levaram 20 homens de meia-idade e com sobrepeso de trem e teleférico para uma estação de pesquisa, que fica a 304 m abaixo do pico da montanha mais alta da Alemanha, a Zugspitze.
Durante a semana em que eles ficaram lá os homens podiam comer e beber a quantidade que quisessem e foram proibidos de fazer qualquer tipo de exercício a não ser passeios a pé. A equipe mediu o peso dos homens, a taxa de metabolismo, os níveis de fome e satisfação dos hormônios antes, durante e depois do retiro na montanha.
Depois de uma semana, eles perderam em média 1,5 kg. Um mês depois, eles ainda estavam 1 kg mais leves. Os dados dos cientistas revelaram que isso aconteceu porque eles comeram cerca de 730 calorias a menos em altitudes elevadas do que no nível do mar.
Eles podem ter sentido menos fome em parte por causa dos níveis de leptina, o hormônio da saciedade, que explodiu durante a estadia, enquanto o grelina, o hormônio da fome, permaneceu inalterado. A taxa metabólica também ficou no mesmo nível, o que significa que eles queimaram mais calorias do que normalmente.
Uma estratégia para ajudar as pessoas a perderem peso em lugares que ficam em altitudes elevadas pode ser viável, embora pesquisam tenham mostrado que o apetite das pessoas se recupera depois de seis meses em altitudes elevadas, explicou Leissner.
- Uma limitação da pesquisa é ela não ter mostrado se os homens perderam mais massa muscular, gordura ou água.
O estudo também não mostrou se a estadia em 2.600 metros era segura para os participantes.
Novas pesquisas que tentam explicar por que a obesidade tende a provocar ataque cardíaco, diabetes e outras doenças inflamatórias sugerem que algumas células de gordura crescem tão rápido que os vasos sanguíneos não conseguem acompanhar o ritmo. O que leva ao surgimento de bolsas de tecidos gordurosos com falta de oxigênio, causando inflamações locais porque as células imunes são ativadas.