27 de Maio de 2012
País levará à reunião mundial da ONU em Copenhague compromisso de reduzir emissões em até 38,9%
.O governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira (13) o compromisso de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa estimadas para 2020 em até 38,9%, e levará essa oferta à reunião mundial da ONU sobre clima em Copenhague, na Dinamarca, no mês que vem.
Veja abaixo alguns comentários de ambientalistas e especialistas sobre ao anúncio desta sexta.
João Talocchi, coordenador da Campanha para o Clima do Greenpeace Brasil:
- É muito positivo. Finalmente o Brasil está adotando uma meta. Há dois anos, era um crime falar em metas de emissões no Brasil. Agora é necessário que isso se torne uma obrigação legal, não uma meta voluntária. Pode ter uma grande influência sobre outros países. Os EUA pediram que o Brasil fizesse mais e ele (o Brasil) fez, agora Washington está sob os holofotes. Os EUA precisam ir à mesa de negociações em Copenhague com uma proposta agressiva.
Aron Belinky, coordenador-executivo da Campanha "Time for Climate Justice" (Tempo de Justiça para o Clima) no Brasil:
- O governo cedeu às demandas da indústria, não tem meta nenhuma para a indústria. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) lutou contra metas. A pior parte da notícia toda é essa. É um pouco menos que o que vínhamos pedindo, mas é um passo importante à frente. É razoável, factível. Não será fácil, mas o Brasil já fez progresso em cortar o desmatamento, que é responsável por grande parte de suas emissões.
Carlos Nobre, pesquisador em mudanças climáticas do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais):
- Se nós viabilizarmos isso é um grande passo. Pode ajudar a quebrar o gelo nas negociações. Isso vai dar ao Brasil um protagonismo (na reunião de Copenhague). Acho que o Brasil fez um gol, mas para que a partida seja ganha, é preciso a ajuda dos outros países. Os países desenvolvidos têm um quinto da população mundial e emitiram dois terços (dos gases-estufa)... Não teria sentido, em 2009, os países em desenvolvimento se obrigarem a reduzir emissões.
Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do escritório brasileiro do WWF (organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza):
- Como gesto político, é de extrema importância. A gente espera que isso traga um oxigênio para as negociações. Esperamos que outros países em desenvolvimento, como China e Índia, também façam o mesmo. É claro que a gente precisa de mais informações sobre esse número para fazer uma avaliação mais criteriosa. Não temos informações sobre quais seriam as contribuições de outros setores.
Paulo Moutinho, pesquisador e especialista em mudanças climáticas do IPam (Instituto de Pesqusia Ambiental da Amazônia:
- Esse anúncio, somado a três coisas importantes - Fundo Amazônia, meta de redução de 80% do desmatamento da Amazônia e o menor desmatamento da Amazônia em 21 anos - coloca o Brasil como o único país a ter condições de mudar o rumo das negociações em Copenhague. O que nós precisamos garantir é que essas reduções continuem consistentes... Precisamos avaliar o apoio que tem sido dado pelo governo a essa bancada ruralista, que tem buscado destruir a legislação ambiental brasileira, senão voltaremos a ter desmatamento.
Rubens Born, diretor-executivo do grupo ambientalista Vitae Civilis:
- É um número que mostra a disposição do Brasil. É muito positivo, é importante para a sociedade brasileira, para que o mundo saiba. É o suficiente? Não. Não deve haver nenhum desmatamento. Precisa haver mais investimentos em energias alternativas. Há muito mais coisas que o Brasil poderia estar fazendo.
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