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publicado em 03/02/2010 às 18h31:

Anomalia genética multiplica
por 50 riscos de obesidade, diz estudo

Pesquisas recentes revelaram que 30 genes aumentam chances de forma moderada

AFP

A perda de uma minúscula parte do cromossomo 16 multiplica por 50 os riscos de excesso de peso e de obesidade grave e explica cerca de 1% dos casos, segundo os resultados de uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (3) pela revista científica Nature. 

A obesidade é causada por vários fatores. Sedentarismo e má alimentação contribuem para o aumento, mas pesquisas recentes apontaram cerca de 30 genes que aumentam o risco de maneira moderada (de 10 a 50% por gene).

Uma equipe de cientistas europeus estudou o papel desempenhado pela ausência de um pequeno fragmento do cromossomo 16 no aparecimento de uma forma grave de obesidade. 

Inicialmente associada a problemas de aprendizagem ou a sinais de autismo, essa anomalia, denominada "microdeletion" (perda de uma parte ínfima do cromossomo), acarreta a supressão de 30 genes diferentes. Os cientistas a identificaram em 33 pacientes obesos e que tinham atraso escolar.

Para saber se a anomalia intervém na obesidade comum, os pesquisadores estudaram o DNA de 16 mil europeus de pesos variados. Entre eles estavam 19 com "microdeletion" do cromossomo 16 - todos tiveram problemas com excesso de peso na infância e adolescência e passaram a ser obesos na idade adulta.

Segundo os cientistas, a anomalia, que contempla menos de uma pessoa em cada mil, explica cerca de 1% dos casos de obesidade comum (e 3% dos casos de pessoas com problemas de gordura e que sofrem com problemas de desenvolvimento mental). Mas as pessoas portadoras têm um risco de desenvolver uma obesidade grave multiplicado por 50.

Os resultados da pesquisa podem ajudar na prevenção desta anomailia na infância ao se levar em conta a identificação das causas genéticas da doença, assinala o professor Philippe Froguel, um dos autores do estudo. Essa estratégia de diagnóstico precoce poderia ser aplicada em outros casos, como diabetes e hipertensão.

O trabalho confirma ainda a relação entre obesidade e doenças neuropsiquiátricas. Ao identificar as causas comuns das doenças, mostra que a obesidade pode ser uma doença neurocomportamental.

A pesquisa é fruto da colaboração da equipe do professor Froguel do Centro Nacional de Investigações Científicas de Lille, na França, do Imperial College de Londres, da equipe suíça do professor Jacques Beckmann e de outros dez grupos científicos europeus.  

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