Alfred Jin/ReutersGoogle diz que ataque "sofisticado" vindo da China resultou
em roubo de propriedade intelectual da empresa
12 de Fevereiro de 2012
País tem centenas de internautas especializados em acessar sistemas

Existem dezenas de milhares de Hong Ke, conhecidos na China como "hackers vermelhos". Muitos são motivados pelo patriotismo, ainda que seja mais difícil definir que tipo de relacionamento eles mantêm com o governo ou as forças armadas chinesas, suspeitas por alguns analistas de estarem por trás dos ataques.
A Honker Union, mais famoso grupo chinês de Hong Ke, prova a existência de uma área cinzenta entre os hackers patrióticos e o Estado, mas o grupo nega envolvimento no ataque contra o Google.
Lyon, apelido de um dos membros da organização, comentou o caso em uma entrevista por telefone.
- A Honker Union não tem interesse em se envolver em política. Trabalhamos apenas pela segurança dos sites chineses.
Ele é chefe de departamento em uma das grandes empresas estatais de telecomunicações do país, e se recusou a revelar seu nome real.
Fundado em 2001, o grupo esteve envolvido em uma guerra de computação com hackers norte-americanos devido ao incidente com um avião espião norte-americano em Hainan, uma prvíncia chinesa, em 2001, atacou na semana passada sites iranianos em represália a uma ação do Cyber Army (Ciberexército, em português), iraniano, que tomou temporariamente o controle do serviço chinês de buscas Baidu, concorrente do Google.
Trevor T, apelido de um norte-americano que ajuda a operar o Dark Visitor, um blog sobre hackers chineses, nos Estados Unidos falou sobre o grupo.- Fica bem claro que muitos dos hackers chineses são motivados pelo patriotismo. A China pode ser inferior aos EUA em termos militares, mas claramente investiu muitos de seus melhores cérebros no desenvolvimento de capacidades que possam compensar a vantagem norte-americana em caso de um confronto militar direto.
Na semana passada, o Google anunciou que um ataque "sofisticado" vindo da China havia resultado em roubo de propriedade intelectual da companhia. O episódio, bem como a censura, foram citados pela empresa como motivos para avaliar uma saída do grupo do país.
O Google não especificou como soube que os ataques vieram da China ou porque a empresa e outras 34 companhias foram alvo.
O uso de múltiplos endereços e servidores por piratas virtuais em Taiwan e outros locais torna difícil provar como ou por quem os ataques foram coordenados. Além disso, a popularidade da prática de invasão de computadores no país dificulta as investigações.
James Mulvenon, especialista em segurança virtual, disse em uma reunião do Congresso americano que a China tinha pelo menos 50 mil hackers militares treinados ou em treinamento, informação que não tem como ser confirmada.
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