27 de Maio de 2012
Fiat desenvolveu Palio Weekend 100% elétrico com Itaipu; Unicamp penou para criar modelo movido a hidrogênio
Desde que começaram a ser produzidos no século 19, os carros elétricos foram aplaudidos por muita gente. Afinal, naquela época eles eram superiores aos convencionais: eram facilmente acionados, não faziam barulho nem soltavam fumaça, ao contrário dos movidos a gasolina, que precisavam de manivela para dar a partida, eram extremamente barulhentos e soltavam muita fuligem.
À medida que o tempo passou, os motores a combustão interna evoluíram muito, mas o carros elétricos, nem tanto. O ponto fraco dos elétricos sempre foi a bateria elétrica, lembra o professor Ennio Peres da Silva, responsável pelo desenvolvimento do primeiro carro a hidrogênio do país, que começou a ser desenvolvido em 1992.
Ele explica que o sistema de propulsão de um carro elétrico é formado por três componentes: o banco de baterias, o sistema de controle e o motor elétrico.
- O motor elétrico evoluiu muito, mas as baterias, não. As muito boas são muito caras, e as baratas funcionam mal.
Por isso, o professor e sua equipe na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) decidiram investir em algo que fosse capaz de gerar eletricidade de forma mais eficiente: o hidrogênio. Um elemento abundante na natureza, que pode ser gerado a partir da energia elétrica, do etanol e do gás natural.
O primeiro protótipo do Vega era um híbrido, e foi desenvolvido entre 1992 e 1995 por meio de doações de equipamentos e serviços de diversas empresas. Os pesquisadores tiveram de esperar cinco anos até que em 2000 o Ministério das Minas e Energia liberou R$ 400 mil para o desenvolvimento do Vega 2, um carro 100% movido a hidrogênio.
No resto do mundo tanto o carro elétrico quanto o movido a hidrogênio vêm sendo desenvolvidos por fabricantes de automóveis de todos os tamanhos.
No Brasil, desde 2006, o carro elétrico que pode ser abastecido na tomada vem sendo tocado por uma empresa geradora de energia, a Itaipu Binacional, em parceria com a KWO, que é dona de hidrelétricas na Suíça. O custo inicial de cada veículo ficou entre R$ 44 mil e R$ 55 mil, mas o consórcio espera que caia nos próximos anos.
O carro elétrico brasileiro deu tão certo que a Fiat resolveu fabricar uma perua Palio Weekend movida a bateria em parceria com Itaipu e a KWO. A meta do consórcio é produzir 50 unidades até 2010, mas o preço do carro, estimado em R$ 145 mil, ainda é muito alto para os motoristas comuns.
A maior limitação para o desenvolvimento do carro elétrico está no tamanho e no custo da bateria. Com quase 150 litros, ela ocupa cerca de um quarto do porta-malas e pesa 160 quilos. Mas a maior vantagem é que ela é 10% reciclável. O kit completo sai por 25 mil euros (o equivalente a R$ 64.750), - metade desse valor é o custo da bateria.
A recarga do Weekend pode ser feita em qualquer tomada de parede de 110V/220V (com plugue de três pinos) em oito horas. A vida útil da bateria é estimada em 120 mil quilômetros (1.000 ciclos de carga).
O alto preço do carro é compensado pelo baixo custo do quilômetro rodado. Com o uso da energia elétrica, ele fica em R$ 0,02 (ou R$ 0,03) por quilômetro, contra R$ 0,18 do álcool e R$ 0,25 da gasolina - é como se o Palio Weekend Elétrico fizesse cerca de 60 km por litro de gasolina.
Uma das maiores vantagens do carro elétrico - pelo menos para quem vive em São Paulo - é que eles não entram no rodízio, de acordo com o inciso X do Art. 2 da Lei Estadual no 9.690 de 2 de junho de 1997 e inciso I do Art. 4 do Decreto Estadual 41.858 de 12 de junho de 1997.
Um incentivo que poderia não diminuir os engarrafamentos, mas que ajudaria a diminuir a poluição nas ruas da cidade, se eles já tivessem chegado ao mercado.
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