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publicado em 30/12/2012 às 10h24:

Brasil não tem estrutura para reciclar lixo eletrônico, afirmam especialistas

Logística reversa pobre e consumidor indiferente são os maiores entraves no País

Tiago Alcantara, do R7

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Quando Tim Cook subiu ao palco do Yerba Buena Center, em São Francisco, para apresentar o novo smartphone da Apple, ele usou uma frase digna de Steve Jobs: “o iPhone 5 é o maior lançamento desde o iPhone”. Os constantes lançamentos (um por ano, no mínimo) incitam uma série de dúvidas nos consumidores — se vale a pena comprar, qual a diferença para o modelo anterior ou se é mesmo melhor que o concorrente. Todas são válidas, mas a única pergunta que as pessoas e, de maneira geral, a indústria não estão prontas para responder é outra: O que faremos com os modelos anteriores? Como descartar o nosso e-lixo?

Os celulares são uma parte importante do lixo tecnológico que descartamos, mas estão distantes de serem os únicos representantes da categoria. É considerado lixo eletrônico todo o equipamento que funcione por eletricidade e, por algum motivo, não esteja mais sendo usado — em razão de um defeito ou por obsolescência. A estimativa é de que, no mundo, 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidas por ano.

Apesar de a definição englobar uma variedade extensa de itens (de uma única pilha até uma turbina de avião ou um satélite), o material proveniente da indústria de TI se destaca.

O mercado do e-lixo

Segundo pesquisa da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgada em 2010, o Brasil é o país emergente que tem a maior produção per capita de lixo eletrônico por ano — 0,5 kg de e-lixo por pessoa, mais do que China (0,23 kg por pessoa) e Índia (0,1 kg por pessoa).

Todo ano, os brasileiros abandonam 96,8 mil toneladas de computadores. O País é também o emergente que mais toneladas de geladeiras abandona a cada ano por pessoa e um dos líderes em descarte de celulares, TVs e impressoras. O estudo da ONU alerta ainda que o Brasil não tem estratégia para lidar com o fenômeno, que nem é tratado como prioridade pela indústria.

Diferente das latinhas de refrigerante e o papelão dos conhecidos catadores que povoam o cenário das grandes cidades, o lixo eletrônico é um mercado que ainda não tem volume suficiente de material para tornar o negócio algo rentável no Brasil.

André Vilhena, diretor-executivo do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), explica que o alto custo pago nos aparelhos dá a eles uma sobrevida.

— No Brasil, os aparelhos têm uma vida útil maior, já que eles são por vezes doados para parentes, amigos, revendidos. Muitas pessoas preferem doar os equipamentos para pessoas que não têm condições de comprá-los, o que prolonga a vida útil dos aparelhos. Hoje, você vê geladeiras com mais de 20 anos de uso. Isso atrasa o ciclo [de reciclagem].

O trabalho de coleta, recuperação e destinação dos resíduos é feito pela Coopermiti (Cooperativa de Produção, Recuperação, Reutilização, Reciclagem e Comercialização de Resíduos Sólidos Eletroeletrônicos). Há dois anos atuando com os resíduos tecnológicos, a cooperativa é uma das primeiras do ramo, explica seu presidente Alex Pereira.

— O catador comum não sabe o que fazer com o lixo eletrônico. Falta educação, sim. É tudo muito tímido ainda. O Brasil ainda está na etapa do ‘isso não é comigo’. Mas, esse é um processo. As cooperativas precisam se preparar para entender esse mercado e atender essa demanda que vai ser crescente. A Coopermiti quer ser uma alternativa viável para as grandes empresas que são fiscalizadas e que, por lei, são responsáveis por dar um destino adequado aos resíduos.

Pereira conta que a cooperativa bateu seu recorde de processamento no mês de novembro com 40 toneladas de lixo eletrônico. Apesar do número impressionante, o negócio está longe de ser lucrativo. O cooperado revela que seu galpão tem capacidade para processar mensalmente 100 toneladas de e-lixo e, em caso de demanda, poderia até dobrar esta capacidade para 200 toneladas/mês aumentando os turnos de trabalho.

Por este motivo, a pequena quantidade de ouro, prata, índio, cobre e outros metais nobres presente em placas e chips ainda não tem um volume que garanta sua rentabilidade.

Localizada na zona oeste de São Paulo, a Coopermiti só é possível em razão de um acordo de convênio com a prefeitura do município — que oferece subsídio para pagamento da luz, água, locação do espaço e também veículos para que os cooperados coletem o lixo na casa dos consumidores.

— Não tem segredo, reciclagem é escala. Tem esse mito que [reciclando] lixo você fica rico porque tem ouro, prata e tudo mais. Mas, existem poucas usinas em todo o mundo que fazem esse tipo de processo: tirar ouro, prata, índio, esses metais nobres. Essas poucas plantas importam do mundo inteiro, então você precisa ter um volume muito grande que justifique você ter uma indústria desta para retirar este tipo de metal. O Brasil não tem a logística reversa implantada que faça o resíduo chegar até uma fábrica de reciclagem deste tipo.

O papel do consumidor

Não é comum ver um comprador cobrando o vendedor sobre informações de logística reversa dos fabricantes. A preocupação maior com o preço e menor com o meio ambiente é criticada pelo diretor-executivo do Cempre.

— Existe um processo que é o livre-arbítrio do consumidor, de descartar ou não. Na medida em que você atinge uma escala, [a reciclagem] passa a ser economicamente viável. Mas, para isso, tem que ter a participação do consumidor. O volume de devolução de eletrônicos não é significativo em comparação com países da Europa, Japão e Estados Unidos.

Frear os impulsos consumistas também é uma dica dada por Vilhena. De acordo com a legislação, no Brasil, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) responsabiliza os fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores pelo ciclo de vida dos produtos.

Coletor: o catador 2.0

Se o acúmulo de lixo convencional é capaz de trazer prejuízo à saúde e paisagem das grandes cidades, seu equivalente 2.0 é ainda pior: a presença de elementos químicos nestes aparelhos traz o risco constante de contaminação do solo e lençóis freáticos, além de outros danos à saúde humana.

Na Coopermiti, os cooperados passam por uma série de treinamentos para lidar com um material tão especial. Além da retirada de eletrônicos na casa dos consumidores, os trabalhadores fazem a triagem do material — que será vendido para empresas de reciclagem ou terá seus elementos nocivos neutralizados.

Apesar das semelhanças na atividade, esse novo tipo de profissional é treinado para lidar com o material eletrônico descartado, explica Pereira.

— Nossos cooperados não gostam de ser chamados de catadores. Eles são coletores, vão buscar os eletrônicos de carro, devidamente uniformizados e tem treinamento para isso. Ao invés de ficar puxando um carrinho, eles são capacitados e treinados para lidar com os materiais.

Num mês de recorde, como foi novembro, a renda chega até R$ 1.800 de salário para os coletores da Coopermiti. Além do trabalho de coleta e triagem, os cooperados participam de oficinas culturais e transformam parte do e-lixo em peças artesanais.

 

 

 

 

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