Um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, descobriu que ao usar técnicas de engenharia genética em algumas moscas-de-frutas (Drosophila melanogaster) eles podiam implantar lembranças de uma dor que elas nunca tinham sentido antes.
Os pesquisadores descobriram que as moscas-de-frutas são capazes, até um certo ponto, de evitar coisas que causaram dor nelas no passado – neste caso elas levaram choques elétricos quando voavam para um certo local. A informação foi revelada nesta quinta-feira (15) pela revista americana New Scientist.
Depois, os cientistas manipularam geneticamente algumas delas para que as células do cérebro que produzem dopamina pudessem criar uma proteína sensível ao laser.
Quando foram iluminadas por um laser em lugar específico, embora o estímulo não tenha produzido nenhuma dor as moscas evitaram aquela área com quase a mesma freqüência de quando não havia dor envolvida.
Um dos pesquisadores, Gero Miesenböck, explicou que as moscas tiveram medo daquela área como se estivessem condicionadas a associar o choque elétrico a ela.
- Estimular apenas esses neurônios dá às moscas a lembrança de um acontecimento infeliz mesmo que ele nunca tenha acontecido.
Ao ser perguntado se essa experiência pode ser estendida aos seres humanos, o pesquisador bioquímico Wayne Sossin disse que “é um pouco antiético fazer engenharia genética em humanos, o que torna a hipótese difícil de testar, e que a experiência só funciona em memória de curto prazo, não de longo prazo.