12 de Fevereiro de 2012
Redução foi resultado da queda na derrubada da floresta nos últimos quatro anos
.Além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que será realizada em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. O governo apresentará um índice abaixo de 5% na emissão de gases pelo desmatamento da Amazônia em relação ao total emitido pelo país.
Os dados sobre a queda das emissões de CO2 (dióxido de carbono) pela ação da derrubada da floresta serão apresentados nesta terça-feira (24), em Brasília, pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais). Em agosto, o diretor-geral do Inpe, Gilberto Câmara, havia dito que valores preliminares apontavam que as emissão de gases pelo desmate da Amazônia ficariam em 2,5% do total - e não 5%, conforme havia sido apurado entre 2000 e 2005. Agora, com a medição concluída, o porcentual ficará entre 2,5% e 5%.
A queda das emissões resultantes do desmate da Amazônia em relação ao total do país se deve à redução do desmatamento nos últimos quatro anos. Jean Ometto, pesquisador do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Inpe, comentou os fatores.
- Além disso, a emissão por combustíveis fósseis aumentou, principalmente por causa do uso de carvão vegetal e do crescimento da frota de veículos.
Ometto contou que houve queda no desmatamento na Amazônia, Indonésia e, embora em pequena escala, na África. Soma-se a isso o fato de que o desmatamento não faz árvores virarem fumaça imediatamente. Parte da madeira se transforma em móvel, casas e portas. Com isso, o carbono fica estocado por anos. Há ainda o fato de que parte das áreas desmatadas é substituída por pasto, à base de capim braquiária, um conhecido "sequestrador" de carbono, cana-de-açúcar e grãos, que também neutralizam a emissão.
Ometto explicou que isso também contribuiu para reduzir a emissão.
Os cálculos da emissão de gases no Brasil feitos pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) são imprecisos. A entidade adota como média para o Brasil um desmatamento anual de 30 mil km quadrados, valor acima do real. O maior desmate ocorreu em 2004, com 27.423 km quadrados. De lá para cá, a queda foi acentuada - 2009 deve fechar com 7.008 km quadrados. Se o país cumprir a meta voluntária de redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020, a derrubada ficará em 4,5 mil km quadrados por ano.
Presenças
Pelo menos 65 líderes mundiais confirmaram presença em Copenhague, entre eles os do Brasil, Inglaterra, Alemanha, França, Japão e Indonésia. Autoridades dinamarquesas convidaram os chefes de Estado e governo de 191 países membros da ONU para a etapa final do encontro, que ocorrerá de 7 a 18 de dezembro. A Dinamarca diz que o presidente americano Barack Obama só irá à reunião se sua presença for crucial para selar o novo acordo do clima. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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