19 de Maio de 2013
Livraria espera aproximação entre o formato digital e os brasileiros com a chegada do Kobo
O sucesso do formato digital no Brasil passa por uma ajuda estrangeira. Enquanto o formato ainda é pouco conhecido entre os leitores do País, algumas iniciativas devem mudar este cenário. Uma delas é a chegada do Kobo em novembro, fruto de uma parceria entre a Livraria Cultura e a empresa canadense homônima.
Chamado de leitor de livros digitais, o aparelho é desenvolvido com uma tecnologia que imita a impressão feita em papel, o que torna a leitura mais agradável do que nas telas luminosas de celulares e tablets.
O CEO da Livraria Cultura, Sérgio Herz, afirma que o preço do Kobo no Brasil ainda está sendo estudado e comentou as diferenças entre seu aparelho o Kindle – dispositivo da Amazon que é o principal concorrente do Kobo fora do país.
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Na esteira do lançamento do aparelho, a livraria deve criar espaços para a divulgação do formato em suas lojas.
—Nós vamos ter os aparelhos expostos em ilha, teremos um espaço especial para os e-books.
Em entrevista ao R7 por telefone, Herz contou sua expectativa à respeito do aparelho e do mercado de livros digitais no País:
R7 – O livro digital pode ajudar a popularizar a leitura no Brasil?
Sérgio Herz — Ele pode trazer novos leitores, pela facilidade de compra que tem. Não necessariamente vai fazer as pessoas lerem mais, o hábito de leitura é um processo que independe da mídia que o usuário usa.
R7 – Com o Kobo no Brasil, qual a expectativa de crescimento das vendas da Livraria Cultura nesse ano?
Sérgio Herz — Em relação ao ano passado, nosso crescimento foi de 250%. Para 2012, a tendência é crescer a mesma coisa ou mais com o Kobo.
R7 – Alguns analistas afirmam que o livro digital é uma ameaça ao livro físico. Como você vê esta competição entre os dois meios?
Sérgio Herz — Não é uma ameaça, é uma oportunidade. Eu não acredito que exista um leitor “monocanal”. Acho que eles vão conviver muito bem e os consumidores vão ler nas duas plataformas.
R7 – O mercado já tem alguns casos de best-sellers, Steve Jobs – A Biografia e As Esganadas do Jô Soares, por exemplo...
Sérgio Herz — Sem dúvida, nesses casos o e-book não tirou vendas do físico. Houve pessoas que ficaram conhecendo [a obra] pelo formato. Atingimos mais gente.
R7 – Apesar do Kobo e outros leitores dedicados, ainda há muitos consumidores que vão ler em tablets e celulares?
Sérgio Herz —Depende da necessidade do cliente. É muito difícil você afirmar que as pessoas sejam iguais, é um mercado muito iniciante. Está todo mundo aprendendo um pouco. Quem vai fazer uma viagem pode usar o livro digital, que ocupa espaço menor, outra pessoa pode preferir o físico.
R7 – A chegada do Kobo no Brasil vai funcionar como uma forma de divulgação dos livros digitais?
Sérgio Herz — Sem dúvida, o que faltava em nossa opinião é um ecossistema completo. O reader é mais leve que um iPad e permite oferecer várias opções para os usuários.
R7 – Um diferencial da parceria anunciada entre a Livraria Cultura e o Kobo é o fato dos livros serem vendidos livres de travas de direitos autorais. Ou seja, podem ser lidos em vários lugares. Pode comentar essa política?
Sérgio Herz — Quando você compra um livro ele é teu. Se você compra um livro na Amazon [empresa que usa DRM no seu Kindle] e muda para o Kobo, você o perde. É basicamente isso: não prender o usuário. Você compra um livro comigo e não pode ler onde quiser. Isso é justo?
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