Getty ImagesPacientes com estresse pós-traumático que receberam ecstasy tiveram melhora na terapia
O ecstasy pode ajudar a melhorar o sucesso de terapia em pacientes com estresse pós-traumático, revelou um estudo divulgado nesta segunda-feira (19) nos Estados Unidos. A chamada "droga dos baladeiros" reduz o medo, permitindo aos pacientes aproveitarem mais suas sessões de terapia.
Um pequeno estudo com 20 pacientes sugere que o uso da droga é seguro e parece melhorar os efeitos da psicoterapia. A equipe de pesquisadores agora deverá fazer um estudo maior com militares, mas disse que ainda serão necessárias mais pesquisas para confirmar a descoberta.
Os pesquisadores só escolheram voluntários que tinham tido estresse pós-traumático por muitos anos e que não haviam tido sucesso em tratamentos convencionais. Os cientistas deixaram de lado aqueles que tinham um histórico de psicose ou de vício.
No estudo, os voluntários tiveram duas sessões de oito horas, separadas por algumas semanas – 12 deles receberam uma dose de ecstasy e oito, só um placebo (dose “de mentira”).
Dois meses depois, 10 dos 12 pacientes que receberam o ecstasy foram bem sucedidos no tratamento. Por outro lado, apenas dois dos oito pacientes que receberam o placebo mostraram melhoras.
Michael Mithoefer, chefe da pesquisa, disse que antes de o ecstasy ser usado para fins "recreativos" centenas de psiquiatras e psicoterapeutas de todo o mundo usaram a droga para melhorar o efeito da terapia.
Segundo os pesquisadores, “as terapias para estresse pós-traumático envolvem rever o drama na terapia, mas uma das razões por que elas não são eficientes é que a pessoa é inundada por emoções que não consegue processar ou por ter uma insensibilidade emocional”.
Um especialista inglês disse que era difícil tirar qualquer conclusão de qualquer estudo pequeno e pediu cautela. O próximo passo será realizar o mesmo tratamento com 40 veteranos do exército antes de fazer outros estudos em grupos maiores de pacientes.
A equipe também está acompanhando os pacientes para observar efeitos de longo prazo e para descobrir se a droga aumenta as chances de eles a usarem para fins "recreativos" - até agora, segundo Mithoefer, os resultados foram tranquilizadores.