27 de Maio de 2012
General Motors retirou o carro elétrico dos donos porque não dava lucro e tinha uma atunomia de apenas 95 km
O EV1, da General Motors, foi um dos primeiros carros elétricos a chegar ao mercado depois que o CARB (agência do governo americano que zela pela qualidade do ar) exigiu que os veículos passassem a não emitir poluentes - nascia o conceito do ZEV (veículo com emissão zero, na sigla em inglês).
No começo, a bateria de chumbo-ácido do EV1 permitia uma autonomia de até 95 km - um alcance pequeno, útil apenas para andar na cidade.
O professor Ennio Peres da Silva, coordenador do laboratório de Hidrogênio da Unicamp, que desenvolveu o primeiro carro a hidrogênio do país acompanhou a história bem de perto. Ele explica que a baixa autonomia do carro elétrico foi um dos pontos fracos que ajudou a sepultar o carro elétrico.
- Ninguém quer parar para abastecer toda hora. As pessoas querem um carro com uma autonomia de 500 km, 600 km, que tenha o mesmo desempenho de um carro convencional, e na mesma faixa de preço. Além de não atingir muita velocidade, o carro elétrico era muito caro. Só o banco de baterias era responsável por um terço do preço do veículo, fazendo com que ele custasse quase o dobro de um convencional.
As crises de energia nos anos 70 e 80 renovaram o interesse pela independência dos carros elétricos em relação aos altos e baixos do preço do petróleo. No começo dos anos 90, o CARB criou regulamentações para incentivar a produção de veículos mais eficientes e que emitissem cada vez menos poluentes até chegar a zero.
As regras do CARB estipulavam que 10% das frotas dos fabricantes deveriam ser formados por carros livres de emissões até 2003.
Os fabricantes rapidamente desenvolveram modelos elétricos que obedeciam às leis. Mas ao mesmo tempo foram acusados de se autosabotar, ao não anunciar bem os produtos, para criar a falsa impressão de que os consumidores não estavam interessados em carros elétricos. Os anúncios dos carros elétricos da época apresentam o veículo como se ele fosse algo do outro mundo, uma promessa para o futuro, não como algo que já existia.
A indústria automobilística investiu mais de US$ 1 bilhão (R$ 1,76 bilhão) para desenvolver o carro elétrico. O primeiro modelo custava na época US$ 33.395 (R$ 58.775), por isso, eles foram vendidos apenas em regime de leasing (operação em que o proprietário de um bem cede a terceiro o uso desse bem por prazo determinado, em troca de uma prestação).
A primeira geração de EV1, de 1997, custava US$ 399 (R$ 724) por mês e incluía um carregador de baterias doméstico de 220 volts e um carregador portátil de 110 volts.
Na mesma época, a indústria automobilística entrou na justiça contra o CARB com processos e lobistas. Eles alegaram que os carros elétricos eram de produção cara e custavam duas a três vezes mais que os movidos a gasolina - não eram lucrativos o suficiente para serem um negócio que valesse a pena.
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