ReproduçãoJogo FarmVille, que transforma internauta em fazendeiro virtual,
é uma das febres do Facebook; é preciso usar com moderação
12 de Fevereiro de 2012
Psicólogo recomenda moderação para usuários de jogos como o Farmville
O aplicativo, exemplo de uma categoria classificada como jogos sociais, deve ser usado com moderação, já que "reúne tudo o que se precisa para viciar", segundo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependentes de Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.
O programa simula a rotina de administração de uma fazenda. O jogador recebe uma quantia inicial em dinheiro fictício para iniciar sua produção de alimentos e criação de animais. Caso o usuário queira incrementar sua propriedade, pode usar um cartão de crédito e comprar notas de dinheiro.
Nabuco diz que após dez minutos de uso desse tipo de jogo o cérebro começa a liberar bastante dopamina, neurotransmissor que é o principal mensageiro da interação entre as células nervosas. Isso reforça e renova a atenção do usuário no game. O psicólogo também diz que o cérebro do jogador faz inclusive com que ele "pense que é um fazendeiro".
– Aquilo que é apenas uma interpretação assume um caráter de realidade. O jogador até sabe que é um jogo, mas durante alguns momentos ele negligencia isso.
O especialista compara o quadro a um garoto que "pensa em sexo o dia inteiro e acessa um site pornográfico".
– Para o cérebro é como se ele tivesse vida sexual ativa. A sensação da realização concreta do ato é mínima.
Para o pesquisador, os jogos sociais são positivos porque estimulam os internautas a compartilhar e serem mais sociáveis – no caso da "fazendinha do Facebook", é possível trocar alimentos e animais e presentear os amigos. Mas, assim como qualquer game, o perigoso é o excesso.
– O perigoso é quando você começa a trocar a vida real pela virtual. É preciso analisar a intensidade. A mãe de uma amiga da minha filha acorda de madrugada para colher os morangos do Farmville.
Esses jogos são uma categoria dos aplicativos das redes sociais, que são responsáveis por uma parcela importante do tempo que os internautas passam na rede. De acordo com José Calazans, analista do Ibope Nielsen Online, 30% dos 8 milhões de usuários do Facebook no Brasil acessaram esses "programinhas". Ele diz que isso é uma tendência mundial.
– Antes dos jogos sociais, os aplicativos já atraíam muitos usuários no mundo todo. Mas eram programas para calcular, para ver o clima, não para jogar. Com esses games, o tempo de navegação no Facebook disparou. Nos Estados Unidos, por exemplo, 50% dos usuários entram nesses aplicativos.
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