Ho/Jaxa/AFPVela do Ikaros são mais finas que fio de cabelo e equipadas com células solares da espessura de um filme; tecnologia permite viagens sem combustível
27 de Maio de 2012
Nave-pipa chamada Ikaros será levada por um foguete no dia 18 de maio

Um foguete levando o Ikaros - acrônimo, em inglês, de nave-pipa interplanetária acelerada pela radiação do sol - será lançado do centro espacial Tanegashima, no sul do Japão, em 18 de maio, disse Yuichi Tsuda, especialista em sistemas espaciais da Jaxa.
- O Ikaros é um iate espacial que capta a propulsão da pressão de partículas da luz do Sol, que saltam de sua vela.
As velas flexíveis, que são mais finas do que o cabelo humano, também são equipadas com células solares da espessura de um filme, para gerar eletricidade, criando "uma tecnologia híbrida de eletricidade e pressão", explicou Tsuda.
O especialista acrescentou que "as velas solares são uma tecnologia que permite a viagem espacial sem combustível, desde que haja luz solar. A disponibilidade de eletricidade nos permitirá ir mais longe e de forma mais eficiente no sistema solar".
O Ikaros, que custou R$ 28,27 milhões (US$ 16 milhões) para ser desenvolvido, será o primeiro a usar esta tecnologia no espaço. Segundo Tsuda, experiências anteriores só testaram o uso das velas em órbitas em volta da Terra.
A Jaxa planeja controlar a trajetória do Ikaros alterando o ângulo em que as partículas de luz do Sol saltam de sua vela prateada.
A nave-pipa terá a forma de um cilindro curto quando for liberada no espaço e desdobrará sua vela de 14 metros, explicou a agência espacial japonesa. O nome da nave é uma alusão a Ícaro, personagem da mitologia grega que voou muito perto do Sol com asas feitas de cera e caiu no mar, mas Tsuda prometeu que "este Ikaros não voará até a estrela".
Nos próximos anos, a Jaxa poderá lançar outros projetos arriscados. Um painel de especialistas do governo propôs que o Japão envie, em cinco anos, à Lua um robô equipado com rodas e que construa a primeira base lunar em 2020, disse nesta terça-feira um oficial do órgão japonês de estratégias voltadas para política espacial.
Segundo este plano, as tarefas do robô incluiriam montar um dispositivo de observação, para reuni amostras geológicas e enviar os dados para a Terra. O robô também montaria painéis solares para gerar energia, informou o oficial.
O painel de especialistas inicialmente considerou enviar um humanoide bípede, mas considerou um de quatro rodas mais prático. Segundo o funcionário,"ainda é difícil para um robô bípede caminhar em uma superfície irregular, mesmo na Terra".
A equipe também pretende construir a primeira estação na Lua por volta de 2020, que contará com quatro robôs avançados com rodas. O grupo estima que a missão não tripulada irá custar ao Japão R$ 35,34 bilhões (US$ 2 bilhões) nos próximos dez anos.
A equipe, com 20 membros, é integrada por especialistas da Jaxa, além de pesquisadores, contou o ministro dos Transportes, Seiji Maehara. Ela planeja apresentar um relatório a Maehara, ministro encarregado da exploração espacial, no final de junho, que seria discutido no Quartel-General Estratégico de Política Espacial, presidido pelo premier Yukio Hatoyama.
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