Um terço da população do Rio de Janeiro mora em favelas. Um dos problemas encontrados pelas pessoas é que essas áreas nem sempre fazem parte dos mapas de localização.
Por isso, a ONG Rede Jovem recrutou cinco jovens mulheres que usam a tecnologia GPS a partir de telefones celulares equipados com um programa que mapeia as áreas que elas percorrem. Todas as ruas são registradas, inclusive algumas que ainda não têm nome.
As informações são enviadas ao site
Wikimapa, que tem acesso aberto a qualquer pessoa. As mulheres registram detalhes do comércio local, como nomes dos estabelecimentos, horário de funcionamento e fotos.
Com telefones, o grupo não deixa passar nada sem registro: igrejas, LAN houses, lojas, campos de futebol e até mesmo o local onde Michael Jackson filmou o vídeo de sua canção
They don't really care about us, em 1996.
Rafaela Gonçalves da Silva, que vive na favela Santa Marta, faz parte da equipe.
- As pessoas estão sempre desconfiadas, mas eu explico que eu estou fazendo isso para um projeto de internet e isso deixa as pessoas daqui tranquilas.
As cinco mulheres jovens, escolhidos por serem "menos tímido do que os meninos", vão competir para ver quem consegue obter o máximo de informações durante os próximos seis meses. O vencedor receberá uma bolsa para estudar jornalismo, mas por enquanto cada um dos cinco recebe uma bolsa mensal de US$ 105 (R$ 180) e um celular com GPS.
A Rede Jovem existe para tentar levar o engajamento social entre os jovens carentes, facilitando o seu acesso às tecnologias de informação e comunicação. O grupo destaca que o Wikimapa pode servir como uma forma de incentivar o uso da internet.
Natalia Santos, representante da ONG diz que a instituição olha para a dinamização de jovens de bairros pobres que queriam aprender.
- Todo mundo pode participar e enviar as suas informações. Tudo que você precisa é um telefone 3G com GPS e fazer o upload do software Wikimapa. Nós queremos mapear todo o Brasil.
Em muitas favelas, o acesso sem fio é gratuito, e os moradores cada vez mais tem acesso à internet.
Para Alini dos Santos Silva, uma colaboradora do morro Pavão-Pavãozinho nas alturas de Copacabana, o projeto é também uma oportunidade para lutar contra as mentiras que se contam sobre a realidade das favelas.
- As pessoas pensam que não há nada aqui, só a violência. Mas eu quero mostrá-los! As favelas estão acima de todos os lugares da vida, das reuniões.