Membros do governo já indicaram que essa meta deve ficar na casa dos 40% de redução até 2020 – na verdade, a conta seria feita com base em uma projeção: reduzir 40% daquilo que se espera que o Brasil emita naquele ano.
Também devem ser compromissos voluntários – o país não seria penalizado caso a descumpra. Mesmo assim, o estabelecimento de um objetivo representa uma mudança de postura do governo Lula, que sempre defendeu que os países ricos, como os Estados Unidos e os europeus, é quem deveriam se comprometer com um objetivo ousado de redução de emissões.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta quinta-feira (12), em Brasília, que uma das medidas para alcançar esse objetivo é a redução de 80% do desmatamento até 2020. O resto viria de adaptações em áreas como a indústria e a agricultura.
Debate internacional
João Talocchi, coordenador da campanha de clima da organização ambientalista Greenpeace, explica que, ao colocar uma meta sobre a mesa, o Brasil pode ter um papel importante nas negociações.
- Se o Brasil estabelecer uma meta, e estiver disposto a ser cobrado por isso, pode estimular outros emergentes como Índia e China a fazer o mesmo e também calar os argumentos de Estados Unidos e Europa, que sempre cobraram esse compromisso.
Talocchi ressalta que ainda há dúvidas sobre como o país vai alcançar isso. Ele diz que o assunto não foi discutido o suficiente.
- Falta discutir as responsabilidades sobre o corte de emissões. O Brasil não tem um plano de ação de longo prazo para isso. Falta dizer que benefícios nós tiramos disso, quantos novos empregos serão gerados, que novas técnicas agrícolas irão surgir. Falta a academia [as universidades, os especialistas] e o setor privado analisarem melhor isso.