8 de Fevereiro de 2012
Configurações do browser, navegação consciente e programas específicos deixam usuário imune a pragas na web
Todos os dias, milhares de vírus rondam sites, e-mails e links com a intenção de roubar informações pessoais e até mesmo esvaziar contas bancárias dos internautas que deixam de lado a segurança. Dados do CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil) indicam que o primeiro semestre desse ano teve 298.181 incidentes de segurança na web reportados ao órgão. O número é 400% maior que o verificado no mesmo período do ano passado. Toda vez que alguém se torna vítima, pode entrar em contato com o órgão por e-mail (cert@cert.br) e registrar seu caso.
Eduardo Godinho, especialista em segurança da empresa Trend Micro, explica que é possível não fazer parte das estatísticas.
– Não dá para garantir 100% de segurança na internet, mas o usuário pode diminuir os riscos com o uso responsável da rede.
As primeiras medidas devem ser tomadas assim que é aberto o navegador (também chamado de browser). O programa é a porta de entrada na internet e é nele que o endereço dos sites são digitados. O navegador precisa estar sempre atualizado com os novos recursos de segurança oferecidos pela empresa fabricante, o que não dá para fazer quando o navegador é pirata. Aliás, qualquer programa pirata deixa o computador mais vulnerável.
Outra ação importante é o bloqueio das pequenas janelas de propaganda chamadas pop-ups que aparecem sem autorização quando alguns sites são acessados. No Internet Explorer, basta acessar o menu "ferramentas", clicar em "opções da internet" e ir até a aba "privacidade". Lá estará a opção de bloquer as pop-ups.
Ao clicar nessas pequenas janelas, são abertas novas páginas. Na maioria das vezes, não passam de propaganda, mas pop-ups surgidas no acesso a sites não confiáveis levam o inernauta para outras páginas fraudulentas, nas quais pode, por exemplo, informar por engano dados pessoais ou instalar programas espiões no computador.
Popularmente considerado criminoso, o hacker é especialista em computadores, e necessariamente não pratica crime algum. Pelo contrário, ele é um profissional que estuda as máquinas e desenvolve projetos de melhoria em sua proteção. Quando um hacker usa sua inteligência para atrapalhar a vida dos internautas, passa a ser classificado como cracker. Para livrar-se desses "piratas" há uma série de ações simples, mas frequentemente ignoradas.
Cuidado ao fazer transações bancárias
Diversos bancos e empresas de vendas pela internet anunciam constantemente melhorias no sistema de segurança das transações feitas pelos clientes. Mesmo assim, há riscos durante a compra ou consulta à conta corrente. O acesso ao site do banco nunca deve ser feito por meio de links publicados em outro lugar. O ideal é que o cliente abra seu navegador e digite o endereço do banco manualmente. Dessa forma, não há risco de cair em uma página falsa da instituição. Muita gente vai parar em sites disfarçados, quase idênticos aos verdadeiros. Quando percebe, já digitou número da conta e senha, deixando essas informações sob poder dos criminosos.
Evitar compras online e acesso ao site do banco em lanhouses ou telecentros é essencial para evitar problemas. Recomenda-se que arquivos como currículos feitos no Word, planilhas no Excel e apresentações do Powerpoint sejam apagados depois de salvos e usados. Caso o computador solicite a memorização das senhas digitadas, este procedimento merece ser ignorado.
Também é preciso tomar cuidado com as senhas. Um código seguro não contém números em sequência, nem datas comemorativas, idade, números telefônicos e de documentos. Senhas "fortes" misturam letras e números de uma forma fácil de ser lembrada por você. Por exemplo, prefira "edg4r" a "edgar3".
Você já ouviu falar em phishing?
Phishing é uma palavra em inglês para representar um tipo de fraude muito comum em que o internauta recebe mensagens não solicitadas por e-mail, via recados no Orkut, por exemplo, e pelos programas de mensagens instantânea, como o Live Messenger (popularmente conhecido como "MSN"). O objetivo de praticar essa fraude é confundir o usuário – para isso, usa-se mensagens como se fossem de um banco, site de compras, Receita Federal, entre outros. O internauta que "cai" no golpe fornece seus dados ou clica em links repletos de vírus.
Os meios mais usados por criminosos para enganar os internautas com o phishing são o envio de cartões virtuais, álbum de fotos, notícias e boatos, inscrições para programas de televisão, convites para sites de relacionamento, promoções e prêmios. Eles também usam sites falsos de empresas como bancos e também órgãos ligados ao governo: IBGE (censo), Receita Federal, Polícia Federal, SERASA e SPC (órgãos responsáveis por análise de crédito ao consumidor) . Fique ligado porque essas instituições nunca usam e-mails ou links para se comunicar com as pessoas.
Godinho, da Trend Micro, diz que, para não ser vítima desse tipo de fraude, os internautas precisam controlar a curiosidade.
- Quem usa a internet não pode clicar em qualquer link e nem abrir e-mails enviados por desconhecidos. Muitas mensagens mentirosas com links sobre a gripe suína chegaram por e-mail, foram abertas e tinham links que instalaram programas espiões nos PCs dos internautas descuidados.
Nas redes sociais ou serviços de mensagens instantâneas, o usuário tem de clicar apenas em links enviados por amigos. Desconfie se a mensagem que acompanha o link destoa do perfil da pessoa. Ao fazer downloads de programas, músicas, fotos e vídeos, não é possível adivinhar se o arquivo está infectado com um vírus. Portanto, os downloads feitos a partir de sites confiáveis correm menos riscos.
Sem fio, mas com segurança
As conexões à internet sem fio (wi-fi) são seguras quando protegidas por senha. Quem configura uma conexão sem senha, abre brecha para que outros computadores próximos utilizem sua banda larga para acessar a rede e, até mesmo, invadir a máquina vulnerável. Crackers ainda encontram dificuldades para interceptar e invadir celulares e PCs conectados a partir da tecnologia 3G, porém as recomendações são iguais às indicadas para acesso convencional. Denny Roger, diretor técnico da Associação Brasileira de Segurança da Informação (Abrasinfo), aposta no crescimento das conexões sem fio e na instrução dos usuários.
- A internet móvel crescerá e as pessoas com boas noções de segurança conseguirão usar a internet livre dos crackers. Percebo que a preocupação sobre esse assunto aumenta á medida que os internautas aprendem técnicas de prevenção.
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