27 de Maio de 2012

Para diplomatas, entidade saiu enfraquecida da cúpula frustrada do clima

A conferência foi encerrada com uma carta de intenções de conteúdo meramente político e com acordos vagos e mínimos, sem poder de lei internacional.
A ONU só poderá alegar que, de uma forma ou outra, o acordo de Copenhague já nasceu morto. No sábado (19), o secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon, limitou-se apenas a comemorar o fim da cúpula.
- Talvez não seja tudo o que esperávamos, mas esta decisão da conferência é uma etapa essencial.
Diplomatas consultados pela reportagem se mostraram frustrados com o ambiente caótico das reuniões, pelas consequências catastróficas do encontro multilateral e pelo fracasso de dois anos de negociações ambiciosas para estabelecer limites nas emissões de gases-estufa.
Para alguns, a responsabilidade do fiasco recai sobre a extrema complexidade das negociações, apesar de, para outros, o problema ser o próprio formato das discussões entre os Estados.
- O maior contragolpe será sentido no sistema da ONU, não na mudança climática.
Os países envolvidos nas negociações deveriam proceder por consenso, mas as divisões entre ricos, emergentes e pobres acabaram afetando os compromissos preconizados desde a ECO-92.
Os temas tratados em Copenhague são realmente complexos e abrangem do financiamento da adaptação à mudança climática das nações pobres até os sistemas de verificação das emissões, passando pelos créditos do carbono.
Outra questão que ficou evidente é o conflito que pode representar para os líderes do planeta entre a defesa dos interesses globais e os interesses nacionais. O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Rajendra Pachauri, afirmou que a cúpula de Copenhague seria um "teste importante" para saber se as nações são capazes de se unir ante uma ameaça comum.
Alden Meyer, diretor da ONG americana Union of Concerned Scientists, respondeu às dúvidas de Pachauri. O americano afirmou que o fracasso de Copenhague "demonstra a fragilidade do sistema multilateral" em dar respostas com a rapidez necessária no caso da mudança climática. A demora, diz ele, é fruto da falta de dinamismo político dos líderes presentes na reunião.
Exemplo disso, recorda Meyer, na Guerra do Golfo, em 1990, os Estados Unidos conseguiram formar uma coalizão de países interessados em expulsar do Kuwait as tropas do iraquiano Sadam Husein, que haviam invadido os Emirados.
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