Cristiano Sant' Anna/indicefoto.com/DivulgaçãoMarco Figueiredo, pesquisador da Nasa, disse
na Campus Party que ser astronauta não é fácil
27 de Maio de 2012
Brasileiro que trabalha na agência fala ao R7 sobre os desafios da exploração espacial
Essa é a avaliação do pesquisador brasileiro Marco Figueiredo, que há 17 anos trabalha na instituição - ele participou neste sábado (30) da Campus Party, espécie de acampamento nerd que acontece em São Paulo.
Na agência, a expectativa é grande porque na próxima segunda-feira (1º) Obama deve entregar ao Congresso dos Estados Unidos a sua proposta de orçamento, que inclui quanto dinheiro o país vai investir na exploração espacial.
Pessoas próximas ao assunto dizem que ele vai pedir que a Nasa tenha um aumento de US$ 6 bilhões (R$ 11,3 bilhões) em seu orçamento pelos próximos cinco anos, valor que não é suficiente para manter, por exemplo, o programa para construção de novas naves espaciais que levem astronautas para a Lua. A tendência é que os EUA abandonem o plano de enviar humanos de volta para o satélite espacial até 2020.
Com essa limitação de dinheiro, Obama terá de fazer escolhas e Figueiredo contou ao R7 que a tendência é que o trabalho da Nasa se volte para a observação da Terra, com investimento em equipamentos e pesquisas sobre a questão climática, por exemplo. Essa estratégia ganha força porque o tema do clima é uma das principais bandeiras do presidente dos Estados Unidos.
- Durante o governo Bush [George W. Bush, que deixou o poder em 2009], a observação da Terra e os estudos sobre o aquecimento global não eram uma prioridade. A tentativa era até de esconder isso. Agora com o Obama há um interesse maior em saber o que vai acontece com o nosso planeta, em colher dados que ajudem a proteger e defender a Terra, torná-la um lugar mais sustentável.
Segundo o pesquisador, se as pessoas soubessem da dificuldade de ser astronauta iam pensar duas vezes antes de alimentar esse sonho.
- Eu nunca quis voar sentado em cima de uma bomba, porque uma nave espacial é uma bomba controlada. Estar em um foguete não é a mesma coisa que viajar na classe econômica de um avião. Não é algo agradável.
O pesquisador é um grande defensor do uso de ferramentas colaborativas e abertas, em que vários pesquisadores trabalham em um projeto sem as amarras da obrigação de guardar segredo sobre as pesquisas - ele começou a palestra na Campus Party avisando que não poderia revelar certas informações sobre seu trabalho por causa do risco de, "além de pagar uma multa milionária, ser mandado para a cadeia".
Mas, para Figueiredo, até mesmo as ferramenta Wiki, sistema em que as pessoas podem colaborar e construir juntas um conteúdo e que tem a Wikipédia como maior representante, podem fazer com que a exploração espacial ande mais rápido. Ele reconhece que isso não é fácil de ser aplicado.
- Na Nasa isso não vai acontecer porque estamos em uma situação de guerra e a mesma tecnologia usada na fabricação de um foguete pode ser usada para lançar mísseis.
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