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publicado em 30/01/2010 às 18h04:

Obama deve concentrar
missões da Nasa na própria Terra

Brasileiro que trabalha na agência fala ao R7 sobre os desafios da exploração espacial

Felipe Maia, do R7

Com o orçamento apertado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve fazer com que a Nasa (agência espacial americana) se volte mais para o monitoramento da própria Terra, em vez de se concentrar na exploração de outros planetas ou da Lua, por exemplo.

Essa é a avaliação do pesquisador brasileiro Marco Figueiredo, que há 17 anos trabalha na instituição - ele participou neste sábado (30) da Campus Party, espécie de acampamento nerd que acontece em São Paulo.

Na agência, a expectativa é grande porque na próxima segunda-feira (1º) Obama deve entregar ao Congresso dos Estados Unidos a sua proposta de orçamento, que inclui quanto dinheiro o país vai investir na exploração espacial.

Pessoas próximas ao assunto dizem que ele vai pedir que a Nasa tenha um aumento de US$ 6 bilhões (R$ 11,3 bilhões) em seu orçamento pelos próximos cinco anos, valor que não é suficiente para manter, por exemplo, o programa para construção de novas naves espaciais que levem astronautas para a Lua. A tendência é que os EUA abandonem o plano de enviar humanos de volta para o satélite espacial até 2020.

Com essa limitação de dinheiro, Obama terá de fazer escolhas e Figueiredo contou ao R7 que a tendência é que o trabalho da Nasa se volte para a observação da Terra, com investimento em equipamentos e pesquisas sobre a questão climática, por exemplo. Essa estratégia ganha força porque o tema do clima é uma das principais bandeiras do presidente dos Estados Unidos.

- Durante o governo Bush [George W. Bush, que deixou o poder em 2009], a observação da Terra e os estudos sobre o aquecimento global não eram uma prioridade. A tentativa era até de esconder isso. Agora com o Obama há um interesse maior em saber o que vai acontece com o nosso planeta, em colher dados que ajudem a proteger e defender a Terra, torná-la um lugar mais sustentável.

O brasileiro diz que isso é positivo porque é necessário muito estudo e esforço científico para convencer os líderes mundiais a investir dinheiro nessa questão. Ele cita um exemplo do que é feito no monitoramento da Terra.

- Você pode pegar uma cidade como São Paulo e fazer imagens de satélite por cinco anos para analisar o aquecimento urbano, por exemplo. Isso gera uma espécie de filme que pode ser complementado com dados sobre o tamanho da população, o avanço industrial. Se uma imagem vale por mil palavras, um filme vale por um milhão. Essa informação visual dá força para que você vá convencer os políticos, os líderes, a entender o tamanho do problema.

Figueiredo trabalha no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, que fica no Estado de Maryland. Especialista em computadores de bordo, ele trabalha na verificação de projetos nessa área. Apesar de trabalhar na Nasa, ele diz que nunca teve o sonho de ser astronauta, apesar da vontade de ir à Lua.

Segundo o pesquisador, se as pessoas soubessem da dificuldade de ser astronauta iam pensar duas vezes antes de alimentar esse sonho.

- Eu nunca quis voar sentado em cima de uma bomba, porque uma nave espacial é uma bomba controlada. Estar em um foguete não é a mesma coisa que viajar na classe econômica de um avião. Não é algo agradável.

O pesquisador é um grande defensor do uso de ferramentas colaborativas e abertas, em que vários pesquisadores trabalham em um projeto sem as amarras da obrigação de guardar segredo sobre as pesquisas - ele começou a palestra na Campus Party avisando que não poderia revelar certas informações sobre seu trabalho por causa do risco de, "além de pagar uma multa milionária, ser mandado para a cadeia".

Mas, para Figueiredo, até mesmo as ferramenta Wiki, sistema em que as pessoas podem colaborar e construir juntas um conteúdo e que tem a Wikipédia como maior representante, podem fazer com que a exploração espacial ande mais rápido. Ele reconhece que isso não é fácil de ser aplicado.

- Na Nasa isso não vai acontecer porque estamos em uma situação de guerra e a mesma tecnologia usada na fabricação de um foguete pode ser usada para lançar mísseis.

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