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publicado em 04/10/2009 às 09h25:

Peritos usam luzes e pó para achar vestígios de crimes

Técnicos são os primeiros a chegar à cena da tragédia e procuram por sinais como sangue

Luiz Augusto Siqueira, do R7

Se existe uma equipe de peritos do Instituto de Criminalística da cidade de São Paulo que está sempre no local do crime é a do Núcleo de Perícias em Crimes contra a Pessoa.

Sempre que um crime é descoberto, a polícia aciona esse núcleo, que envia o mais rápido possível um de seus 16 especialistas – acompanhado, de acordo com o caso, por um fotógrafo ou um desenhista.

Para encontrar os indícios, ele vai para lá com uma maleta com as chamadas luzes forenses, um kit com lanternas e óculos especiais. Dependendo do caso, também pode levar outra maleta, cheia de luvas e pós especiais para retirada de impressões digitais, um para cada tipo de superfície diferente: magnético, preto, branco, cinza.

Em casos mais complicados, como veículos em que existem marcas que não sejam recentes, o perito usa o vapor de cianocrilato, uma substância que reage com gordura e, ao ser aplicada com um bastão superaquecedor, libera vapor no ambiente, revelando impressões digitais.

Basta que o perito vede o carro e deixe o reagente vaporizar. Além de revelar impressões antigas, ao reagir com a água essa molécula revela pegadas ocultas e recentes ao reagir com o suor em superfícies porosas (furadas). 

Emoção

O diretor do "Sangue" – como é "carinhosamente" chamado o núcleo –, José Antonio Moraes, que trabalha como perito há 45 anos, conta que "não existe um crime perfeito, porque sempre ficam pistas". Ainda mais no Brasil, um país em que a maioria é formada de "criminosos emocionais", pessoas mais fáceis de pegar porque matam por emoção e não se preocupam em limpar o local do crime, explica o diretor do núcleo.

É possível usar, por exemplo, um reagente específico para manchas de sangue, um composto químico que reage com o ferro presente na hemoglobina (substância dos glóbulos vermelhos que carrega o oxigênio pelo sangue) e produz luminescência (emissão de luz, criada por reações químicas), o que o torna numa substância perfeita para revelar manchas de fluidos corporais que foram lavadas.

Existem também as luzes forenses, lanternas com diversos comprimentos de ondas (do infravermelho ao ultravioleta), que permitem aos peritos encontrar resíduos orgânicos (sangue, mancha de esperma, saliva) e sintéticos (fibras de tecidos) em pequenas áreas – para locais mais amplos, como um avião, por exemplo, eles usam o Crime Scope, uma versão maior e mais possante.

Foi com essa maleta que os peritos examinaram e reconheceram alguns vestígios orgânicos no Airbus 320 da TAM, que colidiu a 200 km/h num prédio, explodiu e queimou por cinco dias.

Se não fossem as luzes forenses, eles jamais teriam conseguido encontrar e encaminhar alguns desses vestígios - que estavam entre tanto material queimado - para análise no Laboratório de Bioquímica e Biologia do instituto. Com esse equipamento, é possível identificar vestígios de ossos, impressões digitais e de armas de fogo até a fibra de roupas usadas por suspeitos. 


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