O ato de separar o lixo orgânico do de papel, plástico, alumínio e vidro é apenas uma pequena parte de um processo mais complexo de sustentabilidade. E deve ser cada vez mais incentivado e adotado pela sociedade. Mas para Fernanda Altoé Daltro, especialista em consumo consciente da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, o ideal é que a reciclagem seja vista como a última instância.
— O índice de material reciclado no país é três vezes menor do que a quantidade de lixo que produzimos. Antes de se preocupar com o que fazer com tanto lixo, é melhor diminuir sua quantidade. Uma das razões para esse aumento é que nosso poder aquisitivo está maior e, com isso, aumentamos nosso consumo e nosso lixo.
Estamos longe de um índice ideal. Segundo dados da Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem, dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas 405 possuem serviço de coleta seletiva. Muito pouco, já que o Brasil produz, atualmente, cerca de 115 mil toneladas de lixo por dia. E o que é pior: aproximadamente 54% desse lixo é depositado em lixões a céu aberto.
Mudar a relação da população com a reciclagem também é fundamental para o meio ambiente. Muitas pessoas que costumam separar o próprio lixo acreditam que dessa forma já estão fazendo a sua parte. E não é bem assim. O que compramos, de que maneira usamos e como descartamos é de nossa inteira responsabilidade – e devemos assumi-la.
De acordo com Heloisa Torres de Mello, gerente de operações do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, a situação é muito preocupante. A Akatu é uma organização criada com o objetivo de mobilizar o cidadão brasileiro para seu papel de agente transformador na construção da sustentabilidade da vida no planeta.
— Atualmente, a humanidade consome 30% a mais dos recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se o atual modelo de consumo dos habitantes mais ricos do planeta viesse a ser praticado por toda a humanidade, quatro planetas Terra não seriam suficientes para atender toda a população mundial. Se não houver mudança nos padrões de consumo e produção, em menos de 50 anos já serão necessários mais de dois planetas Terra para suprir nossas necessidades de água, energia e alimentos.
O brasileiro desperdiça comida
Assim como a água e a energia, o Brasil também é um dos campeões em desperdício de comida. O brasileiro joga no lixo cerca de 30% dos alimentos perecíveis que compra. Aproveitar integralmente todos os alimentos, não estocá-los, comprar produtos da época e planejar o cardápio da semana com antecedência são apenas algumas das dicas para diminuir esse índice.
Por isso, especialistas dizem que está mais do que na hora de mudarmos nosso estilo de vida. Não é fácil, afinal não fomos educados para entender o meio ambiente como uma responsabilidade de todos. A doutoranda em Ambiente e Sociedade pela Unicamp, Juliana Seidel, acredita que o Brasil ainda tem um grande caminho a percorrer para disseminar essas alternativas ecologicamente corretas.
— Sempre ouvimos dizer que se continuarmos maltratando o planeta dessa maneira será seu fim, mas não é bem assim. Ele já passou por eras glaciais e aquecimento global. É a humanidade que corre o risco de desaparecer da face da Terra.
Por isso, as mudanças de comportamento são muito bem-vindas.
Quase tudo pode ser reciclado
A reciclagem deve fazer parte do nosso cotidiano. Mas antes de assumir essa responsabilidade é melhor tomar alguns cuidados. Entre eles, separar os materiais, limpar, lavar e retirar qualquer resíduo de alimento, cola das etiquetas e outro tipo de sujeira das embalagens. Conheça os principais produtos que podem ser reciclados:
| 1- Plástico rígido |
| São as garrafas de refrigerantes, recipientes para produtos de limpeza e higiene, embalagens de massas e biscoitos, potes de margarina, baldes, utensílios domésticos, eletrodomésticos, copos descartáveis, garrafas para água mineral e embalagens de detergente. |
| 2- Plástico filme |
| Usado na fabricação de sacolas de supermercados, sacos de lixo, embalagens de leite e filmes de proteção de alimentos, aqueles que usamos para guardarmos alimentos na geladeira. |
| 3- Papel de escritório |
| São papéis de carta, blocos de anotações, papéis usados em copiadoras e impressoras, revistas e folhetos. |
| 4- Papel ondulado, conhecido como papelão |
| Geralmente encontrados em caixas para transporte de produtos. São 100% recicláveis e biodegradáveis. |
| 5- Lata de alumínio |
| Usada basicamente como embalagem de bebidas. |
| 6- Lata de aço |
| Usada como embalagens de vários produtos, entre eles, as conservas, sucos e molhos de tomates. |
| 7- Vidro |
| Usado em embalagens de bebidas, produtos alimentícios, medicamentos, perfumes, cosméticos, entre outros. |
| 8- Longa vida |
| São as embalagens de leite, sucos, molhos, leite condensado, e de grande variedade de produtos. |
| 9- Óleo de cozinha |
| Jogado fora, ele pode entupir pias, ralos e poluir o solo e os rios. O ideal é armazenar o óleo em garrafas PET de 2 litros e levá-lo até um posto de coleta. Algumas redes de supermercado, como o Pão de Açúcar, recolhem esse material. |
| 10- Pilhas e baterias |
| Jogado fora, ele pode entupir pias, ralos e poluir o solo e os rios. O ideal é armazenar o óleo em garrafas PET de 2 litros e levá-lo até um posto de coleta. Algumas redes de supermercado, como o Pão de Açúcar, recolhem esse material. |
| As cores da reciclagem |

papel/papelão |

plástico |

vidro |

metal |

madeira |

resíduos perigosos |

resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde |

resíduos radioativos |

resíduos orgânicos |

resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado não passível de separação |
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