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publicado em 04/11/2009 às 17h45:

Unicamp cria programa que avalia se celular faz mal ao ser humano

Primeiros testes com o BR-SAR revelaram que equipamentos usados no Brasil emitem entre 1,5 e 1,6 watts/kg, abaixo do limite internacional

Do R7

Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp, em parceria com a Fundação CPqD, criaram um software que avalia os efeitos da radiação eletromagnética emitida por aparelhos celulares, especialmente na cabeça. Batizada de BR-SAR, a invenção foi revelada nesta semana pelo jornal interno da universidade. 

Os primeiros testes mostraram que os equipamentos não causam riscos aos usuários.

Após a preparação para cada modelo de aparelho, o programa executa o cálculo da distribuição de campos eletromagnéticos em todo o espaço. A partir daí, calcula a distribuição de temperatura e do SAR (sigla em inglês que significa taxa de absorção específica dos tecidos), parâmetro que representa o efeito da radiação eletromagnética nos tecidos. Nesse momento, ele verifica se o que é emitido pelo aparelho está de acordo com a regulamentação brasileira. 

As medições da SAR são realizadas por um sistema robotizado para medição do campo elétrico em um boneco que reproduz a cabeça humana. O telefone é colocado numa determinada posição, na forma como será a exposição durante o seu uso normal, para verificar a exposição eletromagnética criada pelo aparelho.

O software trabalha em três dimensões (3D) e com rotações, o que é fundamental para analisar telefones com tipos diferentes de antenas. 

Um dos desdobramentos da pesquisa foi o trabalho realizado pela bióloga e geneticista responsável pelo Laboratório de Citogenética e Cultivo Celular do Hospital da Mulher, Juliana Heinrich, que estudou os resultados da exposição da radiação em células humanas. 

Ela concluiu em sua pesquisa que o nível de radiação dos aparelhos celulares não causa danos aos cromossomos humanos. Os níveis de radiação emitidos pelos aparelhos encontrados no mercado brasileiro, de acordo com a bióloga, estão entre 1,5 e 1,6 watts/kg. 

As ocorrências de danos nos cromossomos humanos foram verificadas apenas quando a exposição à radiação foi superior em aproximadamente dez vezes ao limite permitido pela Comissão Internacional para Proteção contra Radiações (ICNIRP), de 2 watts/kg. Isso evidencia que os limites no Brasil, referendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estão adequados.

Na área de telecomunicações hoje no Brasil, todo produto antes de entrar no mercado passa por um processo de certificação, coordenado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Cada modelo lançado pelos fabricantes é submetido à bateria de testes, sendo que um é a medida da SAR, cuja avaliação é feita no CPqD. 

 
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