Arquivo PessoalA candidata ao curso de ciências contábeis Caroline Martins vai aproveitar as sete horas de espera para "meditar em Deus"
8 de Fevereiro de 2012
Para judeus, fazer a prova envolve uma série de desafios como ir a pé ao local de prova
Apesar de os sabatistas, como são chamados os alunos nessas condições, serem obrigados a chegar ao local de prova no mesmo horário dos demais estudantes – os portões serão fechados às 12h55 –, eles farão a prova só depois de o sol se pôr, das 19h às 23h30 (horário de Brasília).
O restante dos estudantes farão a prova de sábado (5), que tem 4h30 de duração, a partir das 13h. No domingo (6), todos os inscritos, religiosos ou não, farão o exame e a redação das 13h às 18h30 (horário de Brasília).
Para os adventistas, o sábado é um dia em que todas as suas atividades devem ser voltadas à sua crença. Os estudantes aproveitam a data para ir à igreja e confraternizar com os amigos – sempre por meio de práticas religiosas.
A comunidade adventista considerou positiva a alternativa oferecida pelo MEC. Segundo o diretor de liberdade religiosa da igreja na América Latina, pastor Edson Rosa, é a primeira vez que o governo abre este tipo de espaço para os religiosos.
- É um reconhecimento e um respeito à crença individual de cada pessoa. Os alunos adventistas não vão ter nenhum privilégio e serãO preservados da sua consciência.
Judeus
Assim como os adventistas, os judeus guardam o sábado para se dedicar à religião. No entanto, para estes estudantes, fazer a prova do Enem é uma tarefa complicada.
Isto porque durante o Shabat, como é chamado período que vai do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado, os judeus não podem executar nenhum tipo de trabalho. Isso inclui tarefas como cozinhar, andar de carro, pegar ônibus e carregar qualquer objeto - mesmo uma caneta ou um caderno.
O coordenador pedagógico do Centro Educacional de Religião Judaica, professor Osvaldo Piffer, explica a dificuldade que um aluno de sua escola teria para fazer o Enem.
- Ele deveria levar um lanche para poder se alimentar durante a prova e o material como lápis, caneta e documentos no dia anterior do exame e deixar com alguém no local de prova. No dia, ele teria que fazer todo o percurso até o local a pé, chegar por volta de 12h, e esperar cerca de sete horas para começar a prova.
Para Piffer, todo este procedimento coloca o candidato judeu em condições de desigualdade com outros estudantes. Isso levou os alunos do centro educacional a entrarem com uma ação para que eles fizessem a prova em outra data – a decisão foi cassada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
- Nós consideramos que este confinamento não é democrático, é antipedagógico. Nosso aluno entraria na prova em condição desigual e, por isso, eles entraram com a ação e nós apoiamos.
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