Ricardo StuckertO presidente Lula cercado pelos alunos da nova federal
Em tom de despedida do cargo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta quinta-feira (2) a primeira universidade feita para alunos da América Latina, a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu, no Paraná. Em um discurso de quase uma hora, ele usou a universidade para condenar antigas alianças latino-americanas com os Estados Unidos e para dizer que a instituição é a maior representante da integração do continente, agora “orgulhoso de si”.
Meio à contra gosto, o presidente leu a primeira parte de seu discurso. Foram quase 20 minutos em que ele lembrou que, desde 2003, início de seu governo, já inaugurou 14 universidades federais, mas que a Unila representa “um marco histórico” por representar uma integração regional inédita.
Lula se lembrou das ditaduras latino-americanas do século 20 antes de pedir uma “América Latina soberana, democrática, cooperativa e justa com seus povos”. Também disse que, juntos, os latino americanos têm “as maiores reservas de minério de ferro , terras aráveis e a maior floresta” do mundo.
- A desigualdade não tem origem na escassez, mas na má distribuição desses recursos.
O presidente arrancou aplausos dos alunos que assistiam seu discurso ao dizer que o “novo tempo” permite “reverter carências históricas”.
- Ser latino-americano, hoje, significa fazer parte da mais promissora fronteira da luta por justiça social do século 21.
Ele afirmou que a Unila deve ser “a caixa de ressonância desse ideal”. A partir de então, terminou seu discurso de improviso, como prefere. O tom, no entanto, continuou o mesmo.
Lula ainda criticou a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), defendida pelos Estados Unidos quando assumiu o governo, em 2003, para, mais uma vez, invocar a integração latino-americana.
- Depois de 200 anos, nós estamos aprendendo a andar com as nossas pernas, a enxergar com nossos olhos, a falar pela nossa boca e a pensar pela nossa cabeça. É quando isso acontece que nós estamos conquistando nossa independência.
O presidente também falou sobre a “dívida” que o Brasil tem com a África para dizer que também vai inaugurar a Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira). A universidade pretende atender 10 mil pessoas e será instalada em Redenção, no Ceará.